RS e Argentina suspendem entrada de ovinos e caprinos do Paraná
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sábado, 20 de janeiro de 2001
Vânia Casado De Curitiba 
A governo do Rio Grande do Sul proibiu a entrada de ovinos e caprinos oriundos do Paraná, naquele estado. A Argentina adotou o mesmo procedimento. Para o secretário da Agricultura do RS, José Hermeto Hoffmann, a medida estará em vigor até que o Ministério da Agricultura esclareça as condições de rastreabilidade no rebanho de ovinos do Paraná, que deve identificar as linhagens com predisposição genética a desenvolver o scrapie, que atacou três ovinos no Paraná.
O estado de Santa Catarina acha que a proibição do trânsito de ovinos não é necessária por se tratar de um caso isolado ocorrido no Paraná. Para Felisberto Baptista, coordenador da Defesa Sanitária Animal da Secretaria da Agricultura do Paraná, a medida do governo gaúcho não passa de pretexto comercial sem sustentação técnica.
Segundo José Hoffman, o Rio Grande do Sul pretende manter essa medida no período mais curto possível. A suspensão da portaria depende de medidas salvaguardas que o Ministério da Agricultura deve adotar. Ou seja, ele quer a garantia do Departamento Federal de Defesa Sanitária Animal, que o rebanho de ovinos daquele estado, que é o maior do País, não será contaminado com a doença que foi encontrada em animais no Paraná.
Hoffman criticou a lentidão do Ministério em informar os demais estados sobre a confirmação da doença e as condições de rastreamento que está sendo feita após o abate dos animais. Segundo ele, o Rio Grande do Sul também foi vítima dessa lentidão por ocasião do foco de febre aftosa ocorrido no rebanho bovino no município de Jóia (RS). Naquele período, entre a comunicação da doença pelas autoridades da Secretaria da Agricultura e a confirmação da doença ocorreram 16 dias.
Hoffmann pediu ao Ministério da Agricultura as fichas de importação de animais dos últimos cinco anos. O objetivo é oferecer a parceria do Rio Grande do Sul no trabalho de rastreamento que está sendo feito. Ele quer identificar se algum descendente da linhagem importada que apresentou problema possa ter sido comercializado para o seu estado. O secretário destacou que não está seguro em relação às informações sobre as condições de importação ocorridas em 1989. Nós queremos saber quem fez as importações na época, qual a tradição da pessoa jurídica ou física que fez as importações e negociou os animais, disse.
O médico veterinário, Osvaldo Rubin, responsável pelo Serviço de Vigilância e Defesa Agropecuária de Santa Catarina, disse que não é preciso proibir o trânsito de ovinos, embora nas fronteiras os técnicos estejam em alerta. Para Rubin, o procedimento adotado pelas autoridades do governo do Paraná foram acertadas e o foco foi isolado e não representa uma epidemia. Ele destacou que não se pode sacrificar um rebanho inteiro por causa de um foco isolado, que na sua opinião já foi debelado.


