Roupas para nova estação chegam 3,5% mais caras
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quinta-feira, 07 de setembro de 2006
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - As roupas da coleção primavera/verão estão chegando às prateleiras das lojas até 3,5% mais caras. O supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), Cid Cordeiro, disse que o vestuário teve reajuste próximo ao da inflação nos últimos 12 meses. Por outro lado, o presidente do Sindicato da Indústria do Vestuário de Curitiba e Região Metropolitana, Ardisson Akel, estima um aumento de até 2% para a nova coleção.
''Como a inflação está em patamar baixo, os consumidores sentem as alterações de preços mais facilmente e reduzem o consumo'', disse Cordeiro. Ele esclareceu que o vestuário tem ficado abaixo da inflação nos últimos anos devido à concorrência com os produtos da China.
Akel disse que, como a cotação do dólar caiu, as roupas importadas desceram de preço. No Brasil, os custos internos que elevaram os preços da coleção primavera/verão foram a correção dos salários dos funcionários e a energia elétrica.
''As vendas de inverno deste ano foram fracas. Todo mundo vendeu em liquidação. E o comércio está trabalhando com margem moderada de lucro porque o poder aquisitivo da população está comprometido'', disse. Akel cometou também que muitos consumidores trocaram de televisor por conta da Copa do Mundo e de celular nas promoções do Dia dos Pais e das Mães, o que afetou o consumo de roupas.
O presidente do Sindicato Intermunicipal da Indústria do Vestuário no Estado do Paraná (Sivepar), Marcos Tadeu Koslovski, disse que os custos que mais têm pesado para as indústrias de vestuário são a energia elétrica e os impostos. Segundo ele, nos últimos 12 anos, a energia subiu 347%, o transporte 293%, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) 166% e o vestuário 16%.
Cordeiro, do Dieese, lembrou que, no ano passado, as roupas de verão subiram 6%. Segundo ele, a variação maior de preços acontece de outubro a dezembro. Os consumidores que estão preocupados com a moda vão às compras no início da estação e pagam mais caro. ''Quem olha mais o valor econômico das peças, do que estar na moda, e aguarda as liquidações, tem um grau de satisfação menor mas uma economia maior'', destacou.
O economista sugere para quem vai aguardar as liquidações de roupas de verão, acompanhar os preços dos produtos. Com isso, o consumidor consegue avaliar se a mercadoria teve queda de preço. No entanto, Cordeiro lembra que é necessária muita disciplina para passar nas vitrines e não comprar. ''Quem compra no início da estação paga pelo grau de satisfação, de prazer de estar na moda'', disse.


