Brasília - O presidente da Embrapa, Clayton Campanhola, previu ontem gasto de US$ 483 milhões para que se cumpra exigência da Medida Provisória 113 de rotular todos produtos fabricados com a soja transgênica da safra deste ano. O valor cai para US$ 262 milhões caso se cobre o rótulo apenas para produtos com mais de 5% de transgênicos em sua composição, estimou Campanhola, no Fórum da Esquerda Democrática, sobre Biotecnologia e Transgênicos, organizado pelo PPS na Câmara dos Deputados, em Brasília.
Campanhola calcula que o kit rápido para a detecção de transgenia custe cerca de R$ 60 e que uma análise laboratorial fique entre R$ 150 e R$ 200, valores que ele considerou altos. O presidente da Embrapa garantiu que a instituição pode fazer o primeiro teste que comprove o nível de transgenia da soja desta safra, mas não poderá atender às regras do processo de certificação determinadas pela MP 113. ''A questão da certificação envolve acompanhamento para que se consiga ter melhor rastreabilidade dos grãos. E isso a Embrapa não pode fazer'', afirmou.
O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, que também participou do fórum, demonstrou preocupação com a queda no uso de sementes certificadas no Brasil. Segundo o ministro, Mato Grosso é o Estado com a média mais alta de utilização de sementes legais com 95%, seguido por Paraná e Santa Catarina, com 85%. Em São Paulo, nas regiões norte e nordeste o porcentual é de 75%. No Rio Grande do Sul, a utilização de sementes certificadas é de 55%. Segundo o ministro, o uso de sementes ilegais prejudica a indústria nacional de sementes e aumenta as chances de doenças na plantação.
No Brasil, segundo Rodrigues, os produtores gaúchos não são os únicos que fazem uso de sementes transgênicas, mas nos outros Estados o cultivo está em menor escala.

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