Josoé de CarvalhoEm obrasO presidente da Telepar, Álvaro Dias (de capacete), ao lado do rolo de duto com fibra ótica, em ApucaranaDentro de dez meses deve estar concluída a rede de fibras óticas do anel Londrina/Maringá/Apucaraná, cuja construção teve início ontem. O presidente da Telepar, Álvaro Dias, fez o lançamento da obra. De manhã, ele esteve na rodovia Celso Garcia Cid, na divisa entre Cambé e Londrina, onde foram instalados equipamentos para uma simulação da fusão da fibra ótica do trecho Londrina/Maringá/Apucarana. Às 15h30, o presidente da Telepar deu início às obras do enlace Apucarana/Ponta Grossa. A Rotpar - como se chama a rede de fibras óticas no Paraná - começou a ser construída em Ponta Grossa na semana passada.
Em Apucarana, Álvaro Dias operou a máquina que perfura a solo e enterra o duto com os cabos de fibra ótica, que vão interligar os principais pólos econômicos do Estado. A fibra ótica vai substituir as atuais rotas interurbanas de microondas. Álvaro Dias explicou que, com a instalação de dois cabos subterrâneos com 36 fibras óticas em cada um, vai aumentar a capacidade de ligações telefônicas interurbanas que hoje é de 8 mil para 30 mil. ‘‘Quando o sistema estiver completo em todo o Estado vamos chegar a um milhão de ligações simultâneas’’.
O trecho Londrina/Maringá/Apucarana, com 248 quilômetros de extensão, será construído pelo consórcio Pirelli/Construtel/CG. A ligação entre Apucarana e Ponta Grossa (255 km) será feita pelo consórcio Splice/Selte. Somente para a construção desses dois trechos, a Telepar está investindo R$ 48 milhões. Ainda nesta primeira fase da Rotpar serão interligados pela infovia as regiões Ponta Grossa/Cascavel (437 km); Cascavel/Maringá (300 km); Cascavel/Foz do Iguaçu (151 km); e Curitiba/Ponta Grossa (138 km).
Além de melhorar a qualidade das ligações telefônicas da rede convencional e celular, a fibra ótica vai permitir transmissão de som, imagem e textos de forma interativa e em tempo real, com maiores velocidades. Com a Rotpar, vão funcionar o vídeo por demanda, telemedicina, vídeo interativo, videoconferência, home banking, internet, home shopping e teleeducação.
Outro benefício da Rotpar será transformar as principais estradas federais do Paraná em rodovias inteligentes. ‘‘Poderão ser instalados postos telefônicos à margem das rodovias, balanças de pesagem, painéis de informação sobre pontos críticos, postos de serviço, socorro médico e mecânico. Com certeza, essas informações serão úteis para reduzir o número de acidentes’’, diz.
O chefe do 9º Distrito Rodoviário do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), João Alberto Sautchuk, explicou que foi firmado em maio contrato entre o DNER e Telepar em que o Departamento permite o uso das estradas federais para a implantação dos cabos com fibra ótica. Segundo Sautchuk, a fibra é enterrada a uma distância de 38 metros do eixo da rodovia. A aproximação só é maior quando há necessidade de desvio de algum rio. A canalização que recebe o duto com fibra ótica fica a 50 cm de profundidade.
Álvaro Dias disse que a Telepar vai investir R$ 3,1 bilhões em três anos. Só a Rotpar vai receber investimentos de R$ 500 milhões. O restante são recursos em telefonia convencional e celular. ‘‘Só este ano a Telepar vai injetar na economia do Paraná mais de R$ 900 milhões. São investimentos que vão gerar empregos e impostos para o Estado’’. Ele ressaltou ainda que com esse sistema de telecomunicação as empresas paranaenses terão condições de competir com mais eficiência.
A telefonia celular será estendida para as regiões que ainda estão sem esse sistema. Para este ano estão programados 288 mil novos terminais celular, que estarão completamente instalados até o fim de 1988, segundo Álvaro Dias. Ele informou ainda que na telefonia convencional até o fim do próximo ano haverá 255 mil novos terminais. ‘‘Vamos atender 80% da demanda’’ .
O presidente da Telepar disse também que será discutida a formação de parceria com a Sercomtel, de Londrina, para implantar telefonia em alguns municípios. ‘‘Precisamos, para isso, superar algumas dificuldades jurídicas’’.
Participaram da cerimônia de início da Rotpar na região os prefeitos de Londrina, Antonio Belinati; de Cambé, José do Carmo Garcia; de Apucarana, Carlos Roberto Scarpelini; e de várias cidades da região; os deputados federais Luiz Carlos Hauly, José Janene e Renato Johnsson; vereadores de Londrina e da região; representantes de entidades empresariais da Cidade e região.

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