O número de pedidos de demissão nunca foi tão alto no Paraná. Conforme levantamento do Ministério do Trabalho e Emprego, em média, 1.460 trabalhadores ''pediram as contas'' em empresas do Estado diariamente em 2011. Em Londrina, são cerca de 50 pedidos de demissão por dia. É uma das maiores taxas do Paraná. Ao todo, foram 219 mil pedidos de demissão no Paraná em 2011. Segundo dados do Sindicato dos Empregados em Empresas de Contabilidade e Assessoramento de Londrina e Região (Sindaspel), de cada 10 homologações feitas pela entidade, pelo menos três são de pedidos de demissão.
Confiante no bom momento econômico, o brasileiro está perdendo o medo de buscar novos desafios profissionais e melhores salários. A escassez de talentos no mercado coloca os trabalhadores bem qualificados em posição de destaque, com mais exposição ao assédio da concorrência. ''A alta taxa de rotatividade é um indicativo de que a economia está em crescimento. Diante do cenário de falta de mão de obra qualificada, caso específico do Brasil, esse fenômeno de troca de emprego se torna 'ainda mais forte''', avalia Paulo Roberto Neves, presidente do Sindaspel.
Mas há um porém, comenta Neves: ''A cada novo serviço, um novo carimbo de demissão e admissão na carteira do sujeito. Isso pode acarretar problemas para o trabalhador. Que empresário em sã consciência contrataria alguém com tanta instabilidade, tendo a própria carteira de trabalho como relator disso?'', aponta ele.
No Estado, os setores com maior número de pedidos de demissão entre janeiro e maio de 2011 foram serviços (73.836) e indústria (61.771). Até mesmo a administração pública, tida como um porto seguro para o trabalhador, registrou um aumento de 15% em relação a 2010 nos pedidos de desligamento.
O diretor geral do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Londrina e Região (Stimmmel), Valdir de Souza, diz que por mais que essa rotatividade seja uma realidade dos tempos atuais, existem alguns pormenores que precisam ser levados em consideração. ''De fato, o volume de pedidos de demissões é algo que tem aumentado, porém, o número de demissões por parte da empresa também vem aumentando consideravelmente'', conta. Souza explica que de cada 10 homologações feitas no sindicato, pelo menos 4, são por intermédio de um acerto cordial entre empregado e empregador.
Impacto
Benéfico para os trabalhadores que têm mais opções para a carreira, o fenômeno da alta taxa de rotatividade transformou-se num desafio para as empresas. Com isso o papel desempenhado pelo departamento de recursos humanos ganha cada vez mais destaque dentro das organizações. Segundo o presidente do Sindimetal, Valter Orsi, antes as questões estavam atreladas ao financeiro. Ele era o setor de maior relevância em uma empresa, no entanto, Orsi ressalta que essa realidade tem mudado com o passar do tempo e com a atual realidade do mercado.
''A estrutura de RH está assumindo um papel estratégico. As empresas estão investindo muito para treinar e desenvolver pessoas, dando oportunidades para os talentos da casa. O bom índice de retenção só é alcançado com um conjunto de políticas, não é um fator isolado, mas o gestor é peça fundamental. Ele precisa estar preparado para garantir a permanência dos subordinados'', explica Orsi.
Diante da competição por trabalhadores, também é essencial que as empresas deixem claro para o funcionário as suas possibilidades de crescimento, diz Marcelo Odetto Esquiante, presidente do Sescap-Ldr. ''O profissional está cada vez mais preocupado com o planejamento da carreira. Quando chega num novo trabalho, ele quer saber para onde essa empresa está indo nos próximos anos, quais são as linhas de crescimento e quais são suas metas. Isso demanda, por parte da companhia, maior transparência e melhor comunicação com os funcionários que irão entender suas possibilidades dentro da corporação'', diz Esquiante.
Fonte: Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina - Sescap-Ldr

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