E a maior oferta de empregos em Londrina está causando o aumento da rotatividade da mão-de-obra em alguns segmentos. O presidente da Associação dos Supermercados do Paraná, regional Norte, Ademar Vedoato, admite, por exemplo, que ‘‘a rotatividade da mão-de-obra no setor é considerável’’. E o principal motivo, aponta, é a abertura dos estabelecimentos aos domingos e feriados.
  De acordo com o empresário, é comum o trabalhador deixar o supermercado quando encontra um novo trabalho com garantia de folga no fim de semana. Apesar disso, ele afirma que a rotatividade não atrapalha o bom andamento das atividades. ‘‘Demora um pouco mais para treinar um novo funcionário, mas nada que não seja administrável’’, explica.
  Vedoato diz que hoje os supermercados fazem o papel das escolas quanto à formação de mão-de-obra. ‘‘A maioria do primeiro emprego é gerada pelos supermercados, que fazem o papel do ensino profissionalizante no dia-a-dia’’.
O empresário reconhece, também, que os supermercados vão conviver por um bom tempo com a rotatividade da mão-de-obra. ‘‘A globalização não tem volta e o trabalho aos domingos é irreversível, a menos que haja uma lei federal mudando estes critérios’’.
  O gerente da Agência do Trabalhador, Roberto Gonçalves, tem outro ponto de vista sobre a rotatividade da mão-de-obra no setor. ‘‘Isto se deve à abertura de novos estabelecimentos na cidade e vai continuar até que a situação se acomode’’. Para ele, o trabalho aos domingos e feriados não é o único motivo para a saída de trabalhadores. ‘‘Essa é uma regra, a pessoa já entra sabendo disso, mas quando não se adapta, procura outro ramo de atividade; o verdadeiro motivo está na remuneração’’, afirma.
  Gonçalves diz que os supermercados procuram a Agência do Trabalhador com freqüência em busca de funcionários. Um estabelecimento que está para iniciar as atividades em Londrina nas próximas semanas contratou 176 pessoas para todas as funções na própria agência.
  Para algumas pessoas, o fato de trabalhar fora dos padrões convencionais é determinante na hora de tomar uma decisão. É o caso de Vanessa Silva Nunes, que durante quatro anos foi caixa em um supermercado. ‘‘O maior problema era realmente trabalhar aos domingos e feriados, porque o horário é muito corrido; eu me casei há pouco tempo e preciso dar mais atenção à família’’. Ela foi à Agência do Trabalhador para entrar com o seguro desemprego e agora faz um curso para a cabeleireira. ‘‘Assim, tenho folga e consigo controlar melhor o meu próprio horário’’.
  O estudante universitário Rafael Ariukudo Marques, de 18 anos, procura o primeiro emprego com registro em carteira. Ele acha que a pessoa que trabalha aos domingos e feriados deve ser melhor remunerada. ‘‘Não compensa trabalhar por qualquer mixaria, é melhor procurar outro emprego’’. Marques disse que aceitaria trabalhar aos domingos e feriados desde que a atividade tivesse alguma relação com sua área de estudos: Direito.

mockup