A Rota Indústrias de Máquinas Agrícolas Ltda, de Cambé, demitiu anteontem 40 funcionários, acabando com o turno da noite na empresa, segundo o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Londrina, Sebastião Raimundo da Silva. ‘‘O representante da Rota disse ontem à diretoria do sindicato que as demissões devem-se à queda nas vendas’’.
Outros 27 funcionários da F. Jannani, empresa londrinense especializada em instalações elétricas, deverão ter seus contratos reinscindidos até amanhã. Eles foram demitidos no final do mês passado e cumprem aviso prévio na empresa. O proprietário da F. Jannani, Faiçal Jannani, e o dono da Rota, Rogério Moreira, foram procurados ontem pela Folha para falar sobre as demissões mas não foram encontrados.
Com estes desligamentos, o número de desempregados ligados ao Sindicato dos Metalúrgicos de Londrina chega a 100 nos últimos trinta dias. Em outubro, também foram demitidos cerca de 100 funcionários do setor na cidade. A média registrada no início do ano pelo sindicato era de 20 demissões por mês, segundo Silva. Na última segunda-feira, entre 70 e 80 funcionários da empresa de embalagens Dixie Toga também perderam os empregos em Londrina.
Sebastião Silva acredita que cerca de 80% das indústrias da região darão férias coletivas a seus funcionários para economizar neste final de ano. ‘‘Nos anos anteriores a maioria dava férias coletivas para não demitir. Neste ano, além das férias as empresas estão mandando os funcionários embora’’, reclama. O diretor do sindicato espera um quadro ainda pior no início do próximo ano, quando as medidas anunciadas pelo governo após as eleições deverão entrar em vigor.
A Elevadores Atlas é uma das empresas da região que não irá conceder férias coletivas aos empregados. ‘‘Ao contrário, estamos trabalhando a todo o vapor para dar conta dos pedidos’’, afirma o diretor financeiro e de relações com o mercado, José Ricardo Mendes da Silva. Segundo ele, como a Atlas trabalha com uma carteira de clientes a longo prazo, não sentiu os efeitos da recessão. ‘‘Apesar das vendas terem caído 10% desde setembro, temos um ano e meio de produção vendida. Isso equivale a um faturamento de R$ 150 milhões, ou seja, 3,5 mil unidades de elevadores. Poderemos operar com tranquilidade durante os próximos 17 meses’’, calcula. A Atlas emprega 600 pessoas direta e indiretamente.
Ao contrário da maioria das empresas do setor, a Pado S/A, de Cambé, deverá contratar mais 40 funcionários até meados de fevereiro. ‘‘Vamos transferir de São Paulo para Cambé o setor de galvanoplastia, responsável pelo banho químico que aumenta a durabilidade dos produtos’’, afirma o diretor Nelson Zanoni Filho. Segundo ele, as vendas da empresa em novembro cresceram 11% em relação ao mês anterior. ‘‘Aumentamos nossa participação nas regiões Norte e Nordeste do País’’, explicou. A Pado tem atualmente 560 funcionários. A Folha também tentou ouvir a Companhia de Café Solúvel mas a assessoria de imprensa não deu informações sobre os planos da empresa para os próximos meses.

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