Rompendo barreiras
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 12 de setembro de 2016
Mie Francine Chiba<br>Reportagem Local 

Uma marca norte-americana de vestuário esportivo tinha uma necessidade específica no desenvolvimento de um tênis para atletas para treinos de força: a entressola precisava ter uma estrutura de suporte estável e com elementos de amortecimento apropriados para esse tipo de atividade. E, para isso, resolveu delegar o trabalho a um computador. O resultado? Um produto customizado às necessidades do atleta levando em consideração diversos fatores como níveis de durabilidade, flexibilidade e peso.
Em entrevista, o gerente de produtos da Under Armour do Brasil, Guilherme Rossi, explicou que o uso da tecnologia para a geração de um projeto para a entressola do produto, batizado de Architect, é resultado de um projeto de dois anos. O modelo de tênis ainda não chegou ao País só é comercializado lá fora -, mas é um dos primeiros casos de aplicação do chamado design generativo à industria no mundo.
Na última semana, a FOLHA publicou uma matéria sobre design generativo. A tecnologia une a Inteligência Artificial (IA) ao poder da computação em nuvem para conceber projetos de engenharia, arquitetura, design e outros de maneira automatizada. O design generativo é capaz de gerar milhares de alternativas para um projeto partindo de informações sobre as suas características desejadas. Sobre o humano, o computador tem a vantagem de poder realizar milhares de transações para chegar a uma solução para um problema, otimizando, assim, tempo e recursos. Por causa do seu poder de processamento de informações, a máquina, talvez, até possa chegar a alternativas que ninguém tinha imaginado antes.
"O design generativo tem sido utilizado na exploração e concepção de novas estéticas, tanto no formato bidimensional quanto no tridimensional", explica o designer de produtos Anderson Koyama, que em 2014 realizou pesquisa sobre o tema pelo curso de Design da Universidade de São Paulo (USP). "Ele também permite gerar modelos estruturais otimizados para uma determinada finalidade e já pensados para um determinado processo de fabricação, desde uma prótese médica até um edifício residencial, por exemplo."
Koyama exemplifica o processo falando de uma empresa que fabrica joias e acessórios utilizando a impressão 3D, cada uma diferente da outra. "Isso é possibilitado pela utilização de uma ferramenta generativa. Eles ainda disponibilizam um aplicativo no qual é possível criar sua própria joia customizada e comprar diretamente pelo site."
CRITÉRIOS
No caso da Under Armour, o primeiro passo foi definir as características desejadas do calçado. "Queríamos uma estrutura de suporte estável, com elementos de amortecimento apropriados para treinos de força", declara Rossi. Então, a empresa utilizou um algoritmo que criou estruturas baseadas em critérios como níveis de durabilidade, flexibilidade e peso. "A definição desses critérios foi essencial para alcançar as características do calçado que buscávamos."
Com o projeto em mãos, a Under Armour usou uma impressora 3D para tornar o produto uma realidade. "Foi necessária uma composição complexa e de alta performance que requer uma impressora 3D. O próximo passo foi adicionar o cabedal moldado com tecnologia Clutchfit que oferece um ajuste preciso e ao mesmo tempo proporciona flexibilidade", continua o gerente.
Para Rossi, a possibilidade de customização de produtos é a principal vantagem do design generativo. "O aumento da customização dos produtos às necessidades dos atletas pode gerar um impacto direto na performance de cada um deles. Conforme a tecnologia ganhar alcance no decorrer dos próximos anos, com certeza veremos recordes sendo quebrados e novas barreiras sendo rompidas com a influência direta da inovação dos produtos no desempenho dos atletas."


