O déficit da Previdência Social em janeiro deste ano foi de R$ 1,1 bilhão. O aumento em relação ao mesmo mês de 2001 é de 65,6%. Não fosse esse resultado negativo, o governo federal teria economizado em um mês metade do que havia programado para os primeiros quatro meses do ano.
BrasíliaO déficit da Previdência Social foi de R$ 1,1 bilhão em janeiro deste ano, um aumento de 65,6% em relação a janeiro de 2001. Não fosse esse resultado negativo, o governo federal teria economizado em um mês metade do que havia programado para os primeiros quatro meses do ano.
Em janeiro, o superávit primário (receitas menos despesas, exceto juros) do governo foi de R$ 5,8 bilhões. De acordo com a programação do Tesouro Nacional, o governo tem de economizar R$ 13,9 bilhões para pagamento de juros da dívida pública entre janeiro e abril deste ano. Até o final do ano, serão R$ 29,2 bilhões.
O superávit de janeiro foi obtido por causa de receita extra vinda dos fundos de pensão – que estão pagando dívidas antigas – e de mais R$ 1,1 bilhão da Petrobras, que pagou imposto sobre uma venda de títulos públicos.
Já o déficit da Previdência aumentou pelo crescimento da quantidade de benefícios pagos (2,4% ou 500 mil benefícios a mais em janeiro) e do seu valor médio, que passou de R$ 323 para R$ 335 no mesmo período.
O INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) também começou a liberar os pedidos de novos benefícios que ficaram represados pela greve dos servidores em 2001. Para o secretário-executivo do Ministério da Previdência Social, José Cechin, esse resultado está dentro das previsões. ‘‘Com certeza, o déficit deste ano não será 65% maior que o de 2001.’’ Cechin lembrou que a alta das despesas previdenciárias em 2001 foi influenciada pelo reajuste de 19,2% no salário mínimo.
Neste ano, as despesas devem subir principalmente em razão do reajuste do mínimo de 11,1%. O governo calcula um aumento do déficit anual de R$ 12,8 bilhões (2001) para cerca de R$ 16 bilhões.
A greve dos servidores do INSS, que durou 108 dias, atrasou a concessão de 1 milhão de benefícios no valor de pouco mais de R$ 500 milhões. Ou seja, parte do déficit de 2001 passou para este ano.
Após a reforma previdenciária e a criação do fator previdenciário (que pode reduzir o valor dos benefícios iniciais), o ex-ministro Waldeck Ornélas (Previdência) chegou a anunciar a estabilização do déficit em 1% do PIB. Mas, no ano passado, atingiu 1,08% e, neste ano, poderá chegar a 1,24%.

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