Rombo confirmado, Parmalat adia pagamentos
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terça-feira, 27 de janeiro de 2004
Das agências 
Milão - Uma nova auditoria nas contas da Parmalat detectou que o endividamento líquido da empresa somava 14,3 bilhões de euros no final de setembro (US$ 17,96 bilhões) e não 1,8 bilhão de euros (US$ 2,25 bilhões) anunciados na ocasião, antes da revelação da fraude nas contas da empresa. O valor representa quase oito vezes o que divulgado pelo grupo alimentício. A Parmalat havia dito nos resultados do terceiro trimestre que sua dívida naquela época era de 1,8 bilhão de euros.
Por outro lado, a Parmalat informou ontem que conseguirá pagar seus fornecedores em diversos países, com exceção do Brasil e dos Estados Unidos.
A nova auditoria foi conduzida pela PricewaterhouseCoopers, a pedido de Enrico Bondi, o administrador indicado por determinação judicial, para descobrir o valor exato do rombo nas contas da empresa. Os novos números confirmam as estimativas de diversos analistas econômicos logo após a revelação da crise na companhia, em dezembro. Na ocasião, a Parmalat admitiu que não possuía cerca de 4 bilhões de euros (US$ 5 bilhões) em uma conta no Bank of America, conforme documentação divulgada anteriormente.
Por meio de um comunicado, a nova administração da Parmalat admitiu ontem em Milão, na Itália, que as subsidiárias da empresa nos Estados Unidos e no Brasil enfrentam dificuldades para honrar seus compromissos. No comunicado, a empresa afirma que montou forças-tarefas para atuarem nessas unidades e ajudarem as administrações locais a limitarem suas necessidades financeiras e fecharem acordos com os bancos locais credores.
Segundo o comunicado, os Estados Unidos e os Brasil são dois países em que os pagamentos aos fornecedores tiveram que ser adiados. ''Já estão trabalhando unidades de crise com o objetivo de ajudar os executivos locais para que possam frear as necessidades financeiras e conseguir um acordo com os bancos financiadores'', diz o comunicado. No Brasil, a Parmalat tem cerca de seis mil trabalhadores e oito fábricas. A empresa já atrasou o pagamento dos fornecedores em ao menos quatro Estados: Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Goiás.


