São Paulo - O mercado financeiro inicia a semana com a atenção voltada ao início da substituição, hoje, dos contratos de swap cambial da dívida amarrada ao dólar no valor de US$ 1,408 bilhão que vence no dia 12. ''É o grande evento da semana'', diz o vice-presidente-executivo de Tesouraria do Banco WestLB do Brasil, Flávio Farah.
O interesse pelo processo de rolagem da dívida cambial cresceu depois que o Banco Central (BC) decidiu, há uma semana, não informar ao mercado o volume de contratos a ser substituídos em cada vencimento. Poderia trocar parcial ou totalmente os contratos.
O BC esclareceu em nota que a alteração visava à redução do estoque da dívida cambial pela troca dos papéis atrelados ao dólar por títulos remunerados por juro. A explicação, porém, não convenceu os investidores, que desconfiaram de que o objetivo seria dar suporte ao dólar.
A suspeita não é descabida. Como os contratos de swap são um hedge (proteção) contra bruscas variações no câmbio, uma redução da oferta desses instrumentoslevaria à procura de dólar, pressionando as cotações. Mas, na primeira oferta de rolagem após a alteração, a estratégia anterior foi mantida. Na sexta-feira, o BC anunciou que promoverá um leilão hoje para a troca de contratos de swap cambial no valor de US$ 1,4 bilhão da dívida que vence dia 12.
A oferta está dividida pelos seguintes lotes e vencimentos: 7.100 contratos para vencimento em 3 de novembro de 2003; 10.300 contratos para 2 de fevereiro de 2004; 2.100 para 1.º de julho de 2004; 4.500 para 3 de janeiro de 2005; e 5.800 para 1.º de julho de 2005.
Outro ponto de interesse será a votação da reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. A aprovação pela CCJ é condição necessária para que o projeto continue em andamento no Congresso. Uma eventual resistência às medidas poderia provocar estresse no mercado.
Inflação é o foco -- A inflação também permanecerá no foco dos investidores, que estarão acompanhando o comportamento dos indicadores de preços, principalmente ao consumidor, para o início de apostas sobre a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). A ata do Copom de maio, divulgada semana passada, atribuiu a estabilidade do juro básico em 26,50% ao ano à inflação inercial, por causa da remarcação de preços pela inflação passada.
Na quarta-feira será divulgada a inflação pelo IPC da Fipe em maio.
No cenário externo, além dos dados da economia americana, o mercado financeiro estará atento à reunião do Banco Central Europeu (BCE), na quinta-feira, para discutir a taxa de juros. A expectativa é de um corte de meio ponto porcentual no juro básico, de 26,50% ao ano no momento, para tentar conter a persistente valorização do euro sobre o dólar americano.

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