Brasília - O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, defendeu ontem que o orçamento para financiar a próxima safra, que começa a ser plantada em outubro, não seja reduzido em razão das medidas de ajuda aos agricultores prejudicados pela seca adotadas neste ano. Segundo o ministro, setores do governo - que ele não especificou - entendem que as prorrogações de prazo para dívidas que venciam este ano diminuirão os recursos disponíveis para a próxima safra. ''Ações para regularizar dívidas passadas não podem interferir no futuro'', afirmou. ''Se não, vestimos um santo e desvestimos outro.''
Em meados de março, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou um pacote de medidas para ajudar os agricultores prejudicados pela seca e foi prorrogado o vencimento de dívidas no total de R$ 2,6 bilhões. Desses, R$ 2,2 bilhões referem-se ao Moderfrota, programa que financia a compra de tratores, colheitadeiras e implementos agrícolas. Foram beneficiados com a prorrogação das dívidas os produtores de arroz, algodão, milho, soja e trigo.
Rodrigues esteve na Câmara dos Deputados, onde se reuniu com parlamentares da bancada nordestina. Os parlamentares apresentaram ao ministro proposta em tramitação que trata da renegociação das dívidas dos produtores do Nordeste. A idéia é de que as dívidas dos agricultores dos últimos 10 anos sejam refinanciadas e pagas em 25 anos, com carência de quatro anos.
Rodrigues disse que os produtores do Nordeste precisam de tratamento diferenciado no que diz respeito ao endividamento. ''A situação do Nordeste é diferente. Não podemos tratar igualmente questões diferentes. É preciso olhar com atenção para a região'', comentou.

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