O número de cooperativas no Brasil será reduzido a não mais que 20% do total existente, sem que nenhuma quebre. Um agil processo de fusão será imprescindível como parte do esforço para a redução de custos que vai conferir competitividade ao agronegócio brasileiro.
A opinião é do presidente da Associação Brasileira de Agribusiness (Abag), Roberto Rodrigues, em entrevista a este jornal ontem, em Londrina, onde falou para cooperativistas e agricultores da região, a convite do Núcleo Norte da Ocepar e Sescoop-Pr e da Integrada.
O enxugamento será uma questão de vida ou morte. A nova realidade, consequência da globalização e dos novos paradigmas na economia mundial, vai impor uma administração racional, em que as cooperativas - administradas como empresas - terão de separar o jôio do trigo e ‘‘pôr para fora’’ cooperados e funcionários resistentes às mudanças, segundo Rodrigues.
Na palestra, Roberto Rodrigues disse que o agronegócio está ganhando importância na economia mundial porque ele é o instrumento que vai reduzir as diferenças entre nações ricas e nações pobres. O mundo está pressionando para reduzir essas diferenças. O atentado de 11 de agosto do ano passado contra World Trade Center e o Pentágono precipitou a mudança de paradigma.
A melhor distribuição de riqueza que o mundo clama, inclui oportunidades e espaço para os países pobres, exportadores de bens primários. Mas isto passa pela competitividade global.
Países produtores e exportadores de alimentos têm sua chance de distribuir melhor a riqueza. Mas o Brasil não está preparado para tirar todo proveito dessas mudanças. Terá que melhorar as condições de produção/industrialização e reduzir custos para ganhar qualidade e competitividade, determinantes para participar do mercado globalizado, aumentar a receita e melhorar a sua distribuição de rendas.

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