Rodrigues quer R$ 200 milhões em seguro de renda para agricultores
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sexta-feira, 25 de março de 2005
Fabíola Salvador<BR>Agência Estado 
Brasília - Depois dos excelentes resultados dos últimos anos, as perspectivas não são tão róseas para a agricultura em 2005. Aumento dos custos de produção, menor faturamento com as exportações e quebra recorde na safra prejudicam o agronegócio, que respondeu por 40,4% das exportações em 2004. Preocupado com a situação dos produtores, o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, disse que o setor vive ''o pior mundo possível'' e defendeu a alocação de R$ 200 milhões para a criação de um seguro de renda. O assunto está sendo avaliado pelo área econômica do governo.
Levantamento do ministério mostra que os custos para cultivo da safra atual subiram para os cinco principais produtos agrícolas do País: algodão (19%), arroz (14%), milho (15%), soja (17%) e trigo (10%). O aumento, ressaltam fornecedores de máquinas e insumos agrícolas, é resultado da valorização do dólar frente ao real no ano passado.
O dólar é o segundo entrave para a agricultura neste ano. Os produtores argumentam que plantaram a safra quando o dólar valia mais de R$ 3 e agora, quando precisam vender sua produção, a cotação é muito inferior. Grande parte da renda do campo vem das exportações, principalmente do complexo soja, carnes e café. ''É a política econômica que prejudica o setor agrícola. O câmbio neste momento é o que sufoca o setor primário'', comentou o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, um dos maiores produtores de soja do País.
O governo admite queda nas exportações do agronegócio em 2005. ''As exportações vão cair, mas a queda não será grande porque os embarques de alguns produtos evitarão uma redução geral expressiva'', afirmou o ministro Rodrigues. Os embarques de café, suco de laranja, açúcar e álcool vão impedir queda acentuada no resultado das exportações, argumentou.
O Sul e o Centro do País enfrentam uma seca rigorosa, que imporá a maior quebra de safra já registrada no Brasil. Números recentes divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostram colheita de 119,5 milhões de toneladas no ano-safra. Em outubro, o governo esperava produção de 131,9 milhões de toneladas de grãos. Mesmo com a quebra de 12,4 milhões de toneladas, a produção será superior a safra 2003/04, de 119,151 milhões de toneladas.


