Brasília O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, afirmou ontem que tecnicamente não há mais nada a fazer sobre o embargo russo às exportações da carne brasileira. ''Aparentemente, não há mais nenhuma questão técnica a discutir'', afirmou. Ele disse que pediu ao Itamaraty uma posição diplomática sobre o assunto. ''O Itamaraty está avaliando para tomar uma posição porque tecnicamente e comercialmente não há razão para que o embargo continue''.
A Rússia suspendeu as importações de carne do Brasil em setembro, depois do surgimento de um foco de febre aftosa no Amazonas. Depois, autorizou as compras apenas de Santa Catarina, o único Estado livre de febre aftosa sem vacinação.
Ontem, o governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, ameaçou entrar com uma ação na Justiça contra o Ministério da Agricultura por causa do embargo russo. ''Não foi o Ministério da Agricultura que abriu o mercado russo para Santa Catarina. A decisão foi do governo russo, mas eu entendo que cria um desequilíbrio regional para os produtores de carne suína e bovina'', disse o ministro. ''O governador Rigotto tem todo o direito de buscar todas as formas para o Rio Grande do Sul voltar a exportar para a Rússia'', continuou Rodrigues, sempre isentando o governo federal da responsabilidade sobre o problema.
Rodrigues disse que o governo tem estudado medidas globais para ajudar os produtores agrícolas e pecuaristas gaúchos. Segundo ele, o Estado foi muito castigado por questões comerciais e climáticas. Ele lembrou que, além do embargo russo, os produtores de arroz e trigo estão sendo prejudicados pelas importações do Mercosul. Também enfrentam uma queda no preço da soja e do milho, além de uma quebra na produção por causa da seca em algumas regiões.
''Estamos olhando isso num caráter mais amplo, mas verificamos que o problema maior é da agricultura familiar'', informou. O ministro disse que pretende discutir de forma global com área econômica do governo a questão da queda da renda do produtor rural este ano.

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