Brasília - O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, conseguiu a primeira aproximação formal entre o Grupo de Cairns, que reúne 17 países exportadores agrícolas, e o G-20, que congrega países em desenvolvimento interessados na abertura dos mercados agrícolas dos Estados Unidos e da União Européia.
''A reunião (entre o G-20 e o Grupo de Cairns) será o mais breve possível, no correr do mês de março'', disse Rodrigues, ontem, por telefone, após o encerramento do encontro do Grupo de Cairns, na Costa Rica.
Desde a criação do G-20, no ano passado, há dificuldades em aproximá-lo do Grupo de Cairns. ''Nem todos eram favoráveis, mas acabamos convencendo a maioria'', disse Rodrigues. O G-20 é apenas de países em desenvolvimento. O outro é formado por países ricos, como Canadá e Austrália, e pobres, como o Paraguai e a Colômbia. O Brasil faz parte dos dois grupos.
Para Rodrigues, ''a aproximação dos dois grupos dará mais gás para a negociação agrícola''. Na Organização Mundial do Comércio (OMC), a magnitude da abertura agrícola é uma questão que provoca impasse. O ministro afirma que a união entre Cairns e G20 ajudará a empurrar para a frente as negociações.
Além de ensaiar essa aproximação, Rodrigues propôs uma revisão do documento com as posições do Grupo de Cairns nas negociações agrícolas. Ele distribuiu um questionário com 25 perguntas sobre a posição de cada país em relação aos principais temas de negociação agrícola na OMC: acesso a mercados, subsídios domésticos e subsídios à exportação.
''Vamos flexibilizar o nosso documento'', disse ele, referindo-se ao documento de Cairns. O objetivo, além de permitir uma maior aproximação com as posições do G20, é evitar que os países mais protecionistas acusem o Grupo de Cairns de intransigência nas negociações.
O representante de Comércio dos EUA, Robert Zoellick, também esteve no encontro do Grupo de Cairns, nesta semana, na Costa Rica. Segundo Rodrigues, Zoellick confirmou que os norte-americanos estão dispostos a serem mais flexíveis nas negociações. Ele reclamou, no entanto, que os EUA continuam a condicionar concessões à reciprocidade da União Européia.

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