Rodrigues aconselha lobby para garantir soja modificada
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sexta-feira, 25 de junho de 2004
Fabiana Futema<br>Agência Folha 
Curitiba - O Ministério da Agricultura divulgou ontem relatório informando que a produção de soja transgênica no Brasil foi de 4,1 milhões de toneladas na safra 2003/2004. Desse total, 88,1% coube ao Rio Grande do Sul e o Paraná, apesar da modesta participação de 1,8%, ficou no segundo lugar.
O resultado foi o bastante para reativar a polêmica em torno do assunto.Produtores rurais e Secretaria de Estado da Agricultura, embora em lados opostos, foram unânimes em contestar o relatório. A pesquisa foi feita a partir de informações que constam dos termos de compromisso assinados pelos produtores que declararam o plantio da soja transgênica junto ao ministério.
Para o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja, Ywao Miyamoto, ''ninguém acredita que o Paraná produziu apenas 1,8% de soja transgênica''. Segundo o produtor, ''15% da soja produzida no Estado na safra passada foram transgênicas''. Miyamoto disse que a maioria dos produtores não declarou o plantio porque tiveram medo da ação retaliadora do governo do Estado, que é contra os transgênicos.
O sojicultor acredita que na próxima safra a produção de soja transgênica vai aumentar no País. No Paraná, porém, o aumento previsto pelo produtor não deverá ser tão acentuado. Miyamoto reconhece que a ação do governador Roberto Requião (PMDB) contra os transgênicos está ajudando a evitar o aumento do contrabando e da multiplicação irregular de sementes que ocorre na propriedade.
Para o sojicultor, essa prática bastante disseminada no Rio Grande do Sul reduz a qualidade das sementes, o poder de germinação e provoca doenças nas lavouras.
O assessor da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Carlos Augusto Albuquerque, também disse que o relatório do Ministério não tem credibilidade. Segundo ele, a maior prova de que os produtores do Paraná plantaram mais soja transgênica do que declararam foi a redução das exportações do grão no porto de Paranaguá e aumento do escoamento pelo porto de Santos (SP). De janeiro a maio, as exportações de soja pelo porto paranaense caíram mais de 50%, enquanto que no mesmo período as exportações pelo porto de Santos quase dobraram.
A Secretaria da Agricultura do Paraná também não deu credibilidade ao relatório. O diretor de Defesa Vegetal, Carlos Alberto Salvador, disse que o tamanho da área plantada com soja transgênica no Estado apontado na pesquisa do ministério, de 28,8 mil hectares, não corresponde ao levantamento feito pela Seab, que fiscalizou o plantio no Estado.
Salvador disse que a secretaria encontrou e identificou 31 áreas com soja transgênica, que somam 499,71 hectares, bem abaixo do divulgado pelo ministério. A secretaria informou que não teve acesso aos documentos assinados pelos produtores e afirma que o Paraná continua sendo considerado como área livre de transgênicos.


