Curitiba- A Confederação Nacional do Transporte (CNT) elaborou um plano de infra-estrutura que aponta que o Brasil precisaria de R$ 20 bilhões de investimentos nas rodovias para que tenham boas condições de rodagem. ''O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) prevê muito menos que isso'', disse o vice-presidente da CNT e presidente da Associação Brasileira dos Transportadores de Carga (ABTC), Newton Gibson. Ele criticou a morosidade para o PAC ser executado e lembrou que a maior parte dos investimentos previstos ainda ''não saiu do papel''.
''A nossa preocupação é o retardamento na aplicação dos recursos (do PAC). Queremos que o governo parta para as Parcerias Público-Privadas (PPPs). Mas, o capital estrangeiro não vai investir no Brasil se não tiver confiabilidade no plano proposto pelo governo'', afirmou. O plano de infra-estrutura foi entregue ontem ao ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, durante o 1º Fórum de Transportes do Futuro - Soluções Estratégicas, que aconteceu em Curitiba e foi realizado pela Federação das Empresas de Transporte de Carga do Estado do Paraná (Fetranspar).
Segundo Gibson, o objetivo do Fórum foi mostrar ao governo as necessidades na área de infra-estrutura. ''A solução para o transporte no Brasil é investimento, para ontem'', destacou. Ele disse ainda que os recursos aplicados em transporte no País devem ser ''técnicos e não políticos''. Ele defendeu ainda a intermodalidade, ou seja, a interligação entre os modais rodoviários, ferroviários e marítimos para que o Brasil tenha custo para competir com o mercado externo.
O presidente da Fetranspar, Luiz Anselmo Trombini, disse que o governo federal está começando a acordar para a questão do transporte no Brasil. ''O País precisa de investimento pesado em infra-estrutura para acompanhar o crescimento econômico'', afirmou. Ele destacou que as estradas esburacadas aumentam os custos, o tempo de transporte das cargas, o consumo de combustível e geram perda de competitividade. ''Já que o governo federal optou pelo social (programas sociais), precisa incentivar a iniciativa privada que necessita de segurança para investir'', disse. Trombini defendeu ainda investimentos nos pátios de triagem e em tecnologia na área de informática dos portos brasileiros. ''Os caminhões ainda são muito usados como depósito de cargas. É mais barato que os navios mas, isso precisa acabar'', afirmou.
O ministro Paulo Bernardo disse que o governo pretende incrementar as parcerias com Estados, municípios e a iniciativa privada para investir em transportes. Ele destacou ainda que a meta do governo é manter a taxa de crescimento do PIB em 5% ao ano, com inflação baixa e inclusão social.
Copel - O presidente da Fetranspar acredita que se a Copel entrar na área de concessão de rodovias o consumidor poderá ser penalizado com tarifas de energia elétrica mais caras. Ele disse ter ressalvas quanto à entrada da estatal nesta área. ''Vejo isso como mais um palanque do governador'', disse. Ele lembrou que o governo federal ficou livre do ônus da manutenção das estradas com a privatização das rodovias mas, hoje, mais de 20% do valor cobrado de pedágio é de impostos como ISS, PIS, Cofins e Imposto de Renda.

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