Rodovias: pedágio e pouca duplicação
O setor produtivo paranaense, a julgar pelas opiniões dos entrevistados pela FOLHA, considera razoáveis as condições das principais rodovias paranaenses. Entretanto, algumas críticas persistem: o alto valor do pedágio nas concessões feitas pelo Estado; a ausência de pista dupla em vários trechos rodoviários importantes (menos de 10% da malha rodoviária federal e estadual do Paraná é composta de estradas duplicadas); e a falta de alternativas competitivas.
Luiz Antônio Fayet, consultor da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) para logística, acredita que o Paraná parou no tempo quando o assunto é incremento das rodovias. Faltam melhorias nos principais eixos rodoviários do Estado. Há uns 10 anos o Paraná parou nesse aspecto. Muitos trechos ainda são em pista simples. Isso é inadmissível num Estado como o Paraná, um dos maiores produtores de grãos do Brasil, critica.
Nélson Costa, da Ocepar, opina que o transporte rodoviário paranaense tem condições adequadas. Entretanto, o superintendente destaca a influência de um velho conhecido. O grande problema é o alto valor do pedágio. Para ir de Curitiba para São Francisco do Sul (SC), são dois pedágios, de R$ 1,10 cada. Para ir para Paranaguá, há apenas uma praça, mas o valor é de R$ 12,70. Calculando isso por eixo e considerando-se as praças do Anel de Integração no interior, fica um custo muito alto, diz.
Para falar do pedágio, tem que tomar cuidado, pois ele se tornou uma questão política, principalmente no Paraná. É melhor pagar o pedágio do que andar em estrada ruim. Mas não deveríamos pagar, já que pagamos muitos impostos. Porém, o governo foi se afastando dos investimentos em infraestrutura e as rodovias acabaram nas mãos da iniciativa priva-da, argumenta Luiz Anselmo Trombini, da Fetranspar.
Luiz Fayet lembra que quem faz o transporte da produção paranaense ficou sem escolha. Criou-se um grande imbróglio em torno do pedágio e não foram feitas alternativas, critica, antes de mencionar o peso que os problemas do transporte rodoviário representam para o setor produtivo.
O custo (da logística) se aplica no tempo de transporte, nos gastos para manutenção de veículos e no risco de acidentes. Quando são tomadas medidas para contornar esses problemas, os resultados são benéficos, diz Fayet. (F.G.)





