Apesar de os dois candidatos que disputam a eleição da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) serem vice-presidentes na atual diretoria, suas candidaturas são totalmente distintas. A afirmação é do presidente da Fiep, Rodrigo Rocha Loures, que apoia a chapa Fiep Independente, encabeçada pelo empresário Edson Campagnolo, de Capanema (Sudoeste). Ele esteve segunda-feira em Londrina para uma reunião de coordenadores regionais da federação, quando concedeu uma entrevista à FOLHA.
Segundo Rocha Loures, seu candidato defende uma postura de colaboração entre a entidade e o setor público. Já a chapa adversária - a Nova Fiep - pretende subordinar a federação ao governo do Estado. O segundo grupo, que disputa a eleição do dia 3 de agosto, tem à sua frente o secretário licenciado da Indústria e Comércio, Ricardo Barros, de Maringá, que também é ex-deputado federal pelo PP e ex-prefeito de Maringá.
''Fundamentalmente, houve uma divisão na atual diretoria da Fiep por causa desta diferença de perspectivas'', afirma Rocha Loures. De acordo com ele, a chapa de Campagnolo deverá vencer a eleição com cerca de 80 dos 99 votos dos sindicatos filiados à federação. Cada sindicato representa um voto. A conta do atual presidente, no entanto, é bem diferente da apresentada por Barros em nota enviada, também na segunda-feira, à impresa (leia mais nesta página). Confira abaixo os principais trechos da entrevista:
Existem dois vice-presidentes da atual diretoria disputando a Fiep. Quando aconteceu esse racha e por quê?
São visões distintas de como conduzir a Fiep. Tem uma visão que entende que a Fiep deve ser independente, profissionalizada. Deve ter uma relação com o setor público de colaboração, mas nunca de subordinação. E tem uma outra corrente que entende que deve haver uma relação estreita, simbiótica entre a Fiep e o governo do Estado, o setor público. Fundamentalmente, houve uma divisão na atual diretoria da Fiep por causa desta diferença de perspectivas.
Mas o candidato da oposição, Ricardo Barros, também acusa a atual direção da Fiep de fazer política partidária. De ter feito campanha para seu filho (o deputado federal pelo PMDB, Rodrigo Rocha Loures) a deputado federal e a vice-governador.
Bem, isso não procede. A Fiep permaneceu ao longo de todo o meu mandato como independente. O meu filho tem sua carreira própria e faz sua política por seus próprios meios, assim como o Ricardo Barros faz a política dele. A Fiep não tomou partido de nenhuma candidatura. Eu, enquanto industrial - minha empresa tem mais de mil trabalhadores -, tenho uma filosofia, uma formação empresarial. Eu vivo da empresa, eu sei qual é a necessidade dos outros empresários. Então, a nossa agenda é uma agenda empresarial. Ao passo que a agenda do Ricardo é naturalmente política. Ele pensa politicamente. É só ver como ele votou como deputado. Votava politicamente, não de acordo com as preferências do empresariado. Exemplo disso foram as questões da CPMF e da jornada de trabalho de 40 horas.
O candidato adversário também acusa a Fiep de usar a máquina em benefício do candidato Campagnolo.
Não tem isso de uso da máquina. Uso de máquina é comum nas eleições político-partidárias. Numa eleição de colegiado reduzido, a máquina não funciona. E nem é o caso de. É uma eleição muito barata. Isso é jogo de palavras, é procurar criar um clima eleitoral numa eleição sindical que não existe.

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