Curitiba - O candidato à reeleição Rodrigo Rocha Loures aposta na descentralização dos serviços da Fiep e na continuidade de 120 programas em andamento como plataforma administrativa. Ele mostra os investimentos feitos no setor industrial durante sua gestão e acredita que os números sejam suficientes para garantir sua permanência na direção do Sistema Fiep por mais quatro anos.

Paranaense, Rocha Loures é formado em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Ele foi professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). Em 1968, fundou a Nutrimental, indústria do segmento alimentício que emprega cerca de 1 mil funcionários e mantém operações no Paraná, São Paulo, Santa Catarina, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Minas Gerais.


Folha de Londrina- Quais são os projetos que o senhor tem para que a Fiep nos próximos quatro anos?
Rodrigo Rocha Loures- Quero seguir no mesmo ritmo que vim nos últimos quatro anos. Tenho 120 programas em andamento. Investi 15 vezes mais do que o último presidente da Fiep, num montante total de R$ 71 milhões. Quero ampliar o debate com os 74 sindicatos patronais que compõem o Sistema. Vou investir em capacitação profissional. No meu período, entre 2004 e 2007, o número de matriculados em cursos de capacitação cresceu cinco vezes. Queremos ampliar isso ainda mais.

Folha- A capacitação será voltada apenas para qualificação de mão-de-obra?
Rocha Loures- Não. O empresariado também precisa de renovação e pós-graduação. A grande revolução hoje é a de gestão e organização de negócios. Vamos avaliar as necessidades de cada região. Formamos nos últimos quatro anos 990 executivos. A meta daqui para frente é crescer 600%. Para isso, contamos com parcerias com a Unopar, que está viabilizando inclusive- o ensino à distância com o intuito de atingirmos todo o Estado.

Folha- Algum projeto para o IEL?
Rocha Loures- Já renovamos o IEL. Antes, os estagiários do IEL eram encaminhados para empresas privadas e públicas de Curitiba sem qualquer envolvimento com a indústria. Mudamos isso. São agora 13 mil estagiários em indústrias com metodologias claras que garantem um melhor aproveitamento dos estágios. Estamos cobrindo todo o Paraná. Queremos pensar em saúde e qualidade de trabalho. Estamos procurando estender serviços laboratoriais, de odontologia para o interior do Estado para dar uma atenção especial aos pequenos e médios industriais...

Folha- O interior ainda é carente de investimentos. Como melhorar o foco nos pequenos municípios?
Rocha Loures- Investindo nas APLs (Aranjos Produtivos Locais). Na minha gestão identificamos 20 APLs que estão em pleno funcionamento. Casos de Arapongas, Apucarana, Cianorte. Já verificamos mais dez com condições de se transformarem em arranjos produtivos. Vamos buscar parcerias com o Sebrae, o governo do Estado e prefeituras para articulação de um contexto sócio-político que incentive o crescimento destas regiões. Estamos também colocando terminais de computadores nos sindicatos para indentificar as necessidades regionais. Queremos a estruturação das comunidades para incentivar o desenvolvimento.

Folha- Responsabilidade social ainda será tônica de trabalhos da Fiep?
Rocha Loures- Acho importante que os industriais façam sua parte, com campanhas que contem com o apoio da mídia. É o caso do programa Oito Jeitos de Mudar o Mundo: Nós Podemos Paraná - com o apoio da mídia, inclusive a FOLHA DE LONDRINA. Fizemos encontros regionais com 4 mil líderes comunitários com o propósito de erradicar a miséria e alcançar as metas do Milênio para 2010 muito antes do previsto.

Folha- E as lutas políticas?
Rocha Loures- Continuam. Acho que o crédito é uma grande limitante para o desenvolvimento das médias e pequenas empresas. Queremos alavancar recursos com o BNDES. Vamos lutar pelo juro zero. O crédito é, sem dúvida, um dos quatro pilares para alavancar o progresso.

Folha- E quais são os outros três pilares?
Rocha Loures- Energia (queremos programas de apoio a inovações da cadeira produtiva da energia, como a biotecnologia por exemplo), conectividade (organização do sistema em rede) e saúde. Temos ainda um desafio cultural a vencer que é o funcionamento de cada região de alta produtividade como ocorre nos países de Primeiro Mundo. Temos que interiorizar o desenvolvimento. Para isso, precisamos de uma política industrial para o Estado, com uma direção econômica e que indique os ramos industriais e as perspectivas para o futuro.

Folha- O senhor falou de uma política industrial. A falta de apoio hoje do governo do Estado não pode dificultar a implantação desse objetivo.
Rocha Loures- Não. Temos uma visão clara, com uma agenda legislativa da indústria. Temos uma proposta concreta de política industrial, com ideais vocacionais de cada região, simplificações tributárias, mudanças na política fiscal, infra-estrutura, programas de interiorização dos interesses paranaenses, criação de coordenadorias regionais, conselhos temáticos e rede empresarial. O fato de o governo do Estado ter preferência por outro candidato não quer dizer que nossas relações estejam estremecidas. Tenho boa relação com o Requião desde a juventude. Acima das divergências político-partidárias deve estar o Paraná. Temos algo em comum, eu e o Requião, ambos queremos acertar.(L.P.)

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