Curitiba - A nova diretoria da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), eleita para o quadriênio 2007/2011, encabeçada pelo industrial Rodrigo da Rocha Loures, toma posse hoje, em Curitiba. Reeleito com 60% de um total de 93 votos, Loures tem como principais metas dobrar o porte da indústria no Estado de 500 mil empregados para 1 milhão de pessoas. Os investimentos produtivos que foram de R$ 71 milhões de 2004 a 2007, devem ser elevados para R$ 88 milhões até 2011. Outro objetivo é oferecer apoio para a inovação tecnológica e gerencial nas cadeias produtivas do Estado.
Ele pretende ainda defender os interesses das indústrias nas esferas governamentais municipais, estaduais e federal. As bandeiras prioritárias junto ao governo federal são a reforma tributária, a política de juros e cambial. Segundo Loures, a reforma tributária tem que estabelecer um limite para a carga de impostos no País que hoje é de 35% do Produto Interno Bruto (PIB). A Confederação Nacional da Indústria (CNI) defende a redução para 25% do PIB em dez anos.
Loures ainda defende o fim da cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). A Fiep realizou até um abaixo-assinado para pedir o fim do tributo. ''A CPMF não está vinculada à renda e é desvirtuada das suas finalidades.'' Ele lembrou que, só neste ano, a arrecadação do governo federal aumentou 14%. Segundo Loures, a grande meta é a redução dos gastos públicos e uma reforma fiscal. ''O governo só vai racionalizar os gastos se for reduzida a receita. Não adianta as empresas racionalizarem os gastos se não tiver um esforço correspondente do governo.''
Ele lembrou que nos últimos quatro anos, a Fiep investiu dois terços dos recursos no interior do Estado, o que equivale a R$ 46 milhões. A idéia, neste novo mandato, é manter o mesmo volume de investimentos para o interior ou até um pouco acima do aplicado. No interior, os investimentos devem ser na infra-estrutura das escolas do Sesi e Senai, em áreas como segurança do trabalho e saúde ocupacional.
Na eleição realizada no dia 13 de agosto, Loures teve 53 votos contra 36 do concorrente Álvaro Luiz Scheffer. Durante o processo eleitoral, a disputa foi bem acirrada. Loures chegou a publicar uma nota nos principais jornais do Estado na qual acusava o governo do Estado de pressionar eleitores. Scheffer considerou a nota um desrespeito a todos os sindicatos e negou que tenha ocorrido pressão sobre os votantes.
O governador Roberto Requião (PMDB), que havia apoiado Loures em 2003, passou a apoiar a oposição depois que o atual presidente da Fiep criticou a administração do Porto de Paranaguá.
Loures não acredita que a oposição por parte de alguns sindicatos seja ruim. ''A competição permitiu que os debates se aprofundassem'', disse. ''A oposição faz crítica e o papel do presidente (da Fiep) é ouvir com atenção e aceitar com naturalidade as críticas porque faz parte da democracia.''
Apesar de não ter mantido conversas com o governador, Loures disse não ter dificuldade de se relacionar com ele. ''Vejo com naturalidade e necessária essa interlocução com o governo do Estado.'' A cerimônia de posse que acontece hoje às 19h30 no Centro de Exposições Horácio Sabino Coimbra, no Cietep, na Capital. Até ontem, o governador ainda não tinha confirmado a presença. Devem participar da cerimônia, o vice-presidente da República, José Alencar, o presidente da CNI, Armando Monteiro, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, e o prefeito de Curitiba, Beto Richa.

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