O novo governo, que se instala em 1º de janeiro do próximo ano, terá de conciliar demandas sociais com equilíbrio fiscal. Resgatar dívidas sociais sem aumentar a carga tributária é um exercício difícil. Por esta razão, e ''tantos outros desafios imediatos'', o presidente da República, a ser eleito no próximo domingo, terá um ano de dificuldades em 2003.
A opinião é do líder cooperativista Roberto Rodrigues, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e ex-presidente da Organização Brasileira e Organização Mundial das Cooperativas.
Rodrigues falou ontem, à noite em Cornélio Procópio para empresários e dirigentes de cooperativas sobre ''Competitividade do Agronegócio Brasileiro'', em encontro promovido pelo Sicredi.
Em entrevista à Folha, durante visita à agência do Sicredi em Londrina, Rodrigues disse que para superar as dificuldades o novo governo terá de ''criar regras e conceitos capazes de recuperar a confiança da sociedade''. Portanto, ele não acredita em medidas extremas, semelhantes ao confisco da poupança, como ocorreu no governo Collor, pela ministra Zélia Cardoso.
No entanto, deixou entrever que o novo governo - independente de quem venha a ser eleito - pode optar por remédios amargos. Rodrigues parece não descartar que futuros programas econômicos vejam na agricultura um parceiro para pagar as contas, como ocorreu no atual governo, em que o setor bancou a estabilidade econômica.
Na palestra, Rodrigues transmitiu otimismo e confiança mas não economizou informações e dados para mostrar pontos frágeis que exigem a ''lição de casa'' do setor produtivo.
Afirmando que a agricultura de países emergentes é a ''bola da vez'', Rodrigues apresentou um cenário econômico mundial em que países industrializados têm que reduzir o ''vácuo'' entre as sociedades ricas e as pobres. O papel para reduzir esse abismo e distribuir melhor a riqueza será atribuído à agricultura.
Com base nesse ceário, Rodrigues acredita na redução automática de barreiras protecionistas e na abertura comercial agrícola. E pergunta: a agricultura brasileria está preparada para ocupar esse espaço? Segundo ele, apesar da evolução tecnológica, a agricultura brasileira tem que superar muitas falhas para se habilitar a atender essa demanda.

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