Road Show da Sercomtel tem presença de oito investidores
Estimativa é do presidente da Sercomtel e do secretário municipal de Governo, que estiveram à frente do evento realizado na B3, em São Paulo; objetivo era apresentar ativos da telefônica a possíveis investidores
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 04 de dezembro de 2019
Estimativa é do presidente da Sercomtel e do secretário municipal de Governo, que estiveram à frente do evento realizado na B3, em São Paulo; objetivo era apresentar ativos da telefônica a possíveis investidores
Mie Francine Chiba - Grupo Folha 
Representantes da Sercomtel, da Prefeitura de Londrina e da Copel realizaram no início da tarde desta quarta-feira (4) um Road Show na B3 (bolsa da valores de São Paulo) para apresentar os ativos da telefônica para possíveis investidores e para a imprensa. O evento marca o início do processo de desestatização da companhia por meio do mercado de ações. O leilão da operadora está marcado para o próximo dia 5 de fevereiro.

O Road Show é usado para facilitar a abordagem e despertar o interesse de investidores. Segundo estimativa do presidente da Sercomtel, Cláudio Tedeschi, e do secretário municipal de Governo, Juarez Tridapalli, havia oito investidores presentes, dentre eles uma grande operadora. O evento foi transmitido ao vivo pelo site da B3.
Primeiro, o presidente da Sercomtel fez uma breve apresentação da cidade de Londrina e seus indicadores. Mas, antes de começar, explicitou alguns motivos para o processo de desestatização. “É um ciclo que no Brasil termina, que é o ciclo do governo como investidor nas mais diversas áreas. Esse modelo obviamente se esgotou. Só se consegue tocar uma empresa de alta tecnologia com o modelo privado.”
Em seguida, ele apresentou a Sercomtel e seus ativos e falou sobre a situação financeira da empresa. Segundo o último balanço, os passivos de curto e longo prazos da companhia chegam próximos de R$ 220 milhões, valor equivalente à receita bruta do ano passado. Quase toda a dívida se refere a tributos e processos trabalhistas. O presidente da Sercomtel também mostrou projetos que na sua visão poderiam reverter a situação da telefônica e torná-la viável.
Após Tedeschi, o secretário municipal de Governo, Juarez Tridapalli, apresentou o edital de leilão da Sercomtel, com valor mínimo de R$ 130 milhões em parcela única. Tridapalli afirmou em sua apresentação que o leilão é necessário para manter a empresa ativa. “A empresa precisa ser estruturada. Fazer um enxugamento, como também um investimento para modernizar a companhia.”
Ao final da apresentação, durante o espaço aberto para perguntas, Marcelo Kneese, representante da Dez de Dezembro, uma das acionistas minoritárias da Sercomtel, perguntou sobre a estimativa de performance da Sercomtel para 2020. Claudio Tedeschi respondeu que o planejamento estratégico da Sercomtel até 2024 dá conta que, se continuar no ritmo que está, a companhia terá queda de 7% a 10% na receita e no número de clientes e prejuízo médio de R$ 20 milhões ano a ano.
Kneese também questionou se, como acionista da empresa, a Dez de Dezembro poderia apresentar uma proposta de valor menor e com termos diferentes dos que estão estabelecidos no edital. No ano passado, a acionista havia feito uma proposta de capitalização de R$ 120 milhões à Sercomtel. “Os termos mínimos que estão colocando são significativamente superiores ao que nós havíamos indicado. Esse valor de R$ 130 mi, (gostaria de saber) se pode ou não colocar uma proposta diferente ou abaixo do que se está colocando e com alguns termos e condições revisados, porque não nos parece razoável que nenhuma dessas contingências que estão lá, que são muito significativas e não estão refletidas no balanço, não possam ser descontadas”, perguntou o representante da Dez de Dezembro.
O secretário de Governo, Juarez Tridapalli, respondeu que “as regras estão estabelecidas e não tem nenhuma possibilidade nesse momento de mudar o edital”.
“Quando a gente tenta adaptar o leilão para o investidor privado e levando em conta as análises que já fizemos, algumas da situações, principalmente a falta de possibilidade de desconto de contingências, que são enormes, as exigências de multas contínuas, para uma empresa que é notória por não ter cumprido várias obrigações, trazem um risco adicional do processo que é bastante alto. Estamos falando de R$ 130 milhões de equity, valor líquido. Desejo sucesso, mas acredito que as regras como estão tendem a ser impeditivos para um processo agressivo competitivo”, criticou Kneese.
'Dentro das expectativas'
Por telefone, Tedeschi afirmou que o número de investidores presentes estava dentro das expectativas. Segundo ele, alguns não puderem ir em razão do trânsito, que estava conturbado devido a manifestações a respeito de Paraisópolis. Para ele, não é possível medir o interesse dos investidores apenas pelo Road Show, já que os potenciais investidores ainda precisam estudar a empresa através do data room, criado no site da Prefeitura para investidores consultarem documentos, conversarem com representantes da empresa e agendarem visitas à sede da companhia. "Uma empresa de 50 anos como a Sercomtel, o estudo de todo esse período na área fiscal, tributária, é complexo. Uma coisa é demonstrar o interesse, outra é fazer uma análise aprofundada dos ativos e passivos para depois decidir por uma oferta." Conforme o presidente da Sercomtel, algumas empresas já se comprometeram a fazer visitas à sede da companhia.
Sobre as perguntas e críticas da Dez de Dezembro, Tedeschi ressaltou se tratar de uma "perspectiva deles". "Cada um tem sua perspectiva. É normal que o investidor da iniciativa privada não compreenda com profundidade questões públicas, que são amarradas. O setor público só pode fazer o que a lei autoriza."
O secretário municipal de Governo avaliou como positivo o processo de desestatização até o momento, mas disse que ainda não é possível avaliar o interesse dos investidores na Sercomtel. Segundo ele, duas empresas já pediram o acesso ao data room. Possivelmente, mais uma deverá ingressar no portal, afirma Tridapalli. “O data room é um sinal de interesse mais concreto.” No entanto, se haverá comprador ou não, só será possível saber no leilão, ele completa.
Tedeschi e Tridapalli retornam a Londrina nesta quinta-feira (5), mas, até lá, o secretário de Governo disse que ainda faria visitas a alguns fundos de investimento, que dão suporte a possíveis investidores.


