A Região Metropolitana de Curitiba (RMC) teve leve queda no índice de desocupação ao passar de 3,7% em outubro para 3,2% em novembro, mas atingiu o menor nível no mês de referência desde que a pesquisa começou a ser feita, em 2003. A taxa divulgada ontem pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) é também a terceira mais baixa da RMC no geral, bem abaixo da média nacional de 4,9%, anunciada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A queda no número de desempregados costuma ocorrer no fim do ano devido ao aquecimento dos setores de comércio, serviços e construção civil. Na RMC, esses segmentos acabam por ter um crescimento mais considerável porque a região tem alta industrialização e salários maiores, segundo o diretor de estatísticas do Ipardes, Daniel Nojima. A média salarial na RMC é de R$ 1.927,60, atrás apenas dos R$ 1.929,50 de São Paulo. A média nacional, que não inclui o valor de Curitiba, e considera a área de influência de seis capitais, é de R$ 1.809,60.
Nojima conta que são mais de 300 mil empregos na indústria na RMC, além de um segmento de educação pujante, que puxa o setor de serviços para cima. "Os setores de serviços e comércio crescem pela renda maior dos trabalhadores em geral."
O diretor do Ipardes afirma que o aglomerado de cidades da capital paranaense cresce muito economicamente e está "no extremo mais favorável" da economia entre as regiões metropolitanas. Ele reconhece que o nível de desenvolvimento do interior do Estado não é homogêneo em relação a Curitiba, o que só poderia ser possível com a expansão industrial pelo Estado, que também depende de melhor infraestrutura para transportes, por exemplo.
Porém, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego, a expansão do emprego formal na capital paranaense é de 3,9% no acumulado de janeiro a novembro, enquanto no Estado é de 5,3%. A média nacional foi de 4,7%.
Perspectivas
Depois de um 2012 com crescimento em torno de 1% do Produto Interno Bruto (PIB), o "pibão grandão" de 4,5% esperado pela presidente Dilma Rousseff para 2013 pouco deve interferir nos níveis de emprego e de salários. A opinião é do professor de economia José Moraes Neto, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que diz que o mercado de trabalho brasileiro deve se estabilizar. "Os analistas não preveem uma taxa de inflação elevada e o mercado não deve sofrer grandes impactos no poder aquisitivo ou em ganhos salariais elevados", afirma.
Moraes Neto acredita que a economia brasileira não deve ter um resultado espetacular em 2013, mas somente de desempenho melhor do que neste ano. Assim, o economista diz que as taxas de desemprego devem ser mantidas em baixa, tanto na RMC quanto no restante do País. Como a expectativa do governo é de inflação menor no próximo ano do que neste, quando deve girar em torno de 5,4%, ele não espera grandes reajustes salariais em curto prazo.
Para ele, a única incógnita na economia mundial é se dará certo o ajuste fiscal que o governo do Estados Unidos prepara. "Podemos esperar um cenário internacional ainda de estabilidade ou um pouco positivo", diz o professor da UFPR.

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