Ritmo deve cair ainda mais
O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro vai cair ainda mais no terceiro trimestre, quando o mercado assimilar o impacto do racionamento de energia e as últimas investidas da crise argentina, segundo economistas. Ontem, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o PIB do segundo trimestre foi 0,99% menor do que nos três primeiros meses do ano.
O resultado foi muito pior do que o esperado pelo mercado, que apostava num resultado negativo somente a partir do terceiro trimestre, quando o impacto do racionamento de energético já terá sido totalmente absorvido, explicou Camila de Faria Lima, especialistas em macroeconomia do Banco Santander.
Apesar do PIB ter crescido 3,55% nos últimos doze meses e 2,49% no primeiro semestre, em comparação com o período anterior, os dados divulgados ontem mostram o início de uma recessão no País, já que no primeiro trimestre do ano o PIB aumentou 0,40% em relação aos três meses anteriores.
''Os dados do IBGE indicam uma queda de atividade em todos os setores. Não se pode atribuir toda culpa ao racionamento de energia, porque este só começou em junho. É muito preocupante porque o resultado do terceiro trimestre deve ser pior'', avaliou Lima.
No terceiro trimestre, o desemprego vai se agravar e a produção industrial, que já caiu 2,97% do primeiro para o segundo trimestre, vai cair mais. ''O PIB não vai superar 2,2% no final do ano, segundo as previsões do mercado'', acrescentaram especialistas da Fundação Getúlio Vargas (FGV) do Rio de Janeiro.
As autoridades econômicas admitiram recentemente que o crescimento do PIB brasileiro não vai ultrapassar 2,8% este ano, frente aos 4,5% previstos no início do ano. Em 2000, o PIB brasileiro cresceu 4,49% em relação ao ano anterior. (France Presse)





