A influência do reajuste das tarifas públicas e do futuro aumento sobre os combustíveis no custo de vida não vai reverter a tendência de queda da inflação, segundo os economistas responsáveis pela elaboração dos índices de preço do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ). No entanto, a velocidade da queda vai ser menor neste mês, caso os aumentos sejam confirmados.
Para a chefe do Departamento de Preços do IBGE, Márcia Quimtslr, assim como aconteceu em relação à alta do dólar, o repasse para os preços destes reajustes será bloqueado pela perda de renda dos consumidores. ‘‘Não há margem para novos aumentos’’, afirmou. ‘‘A contenção do aumento de preços é feita pelo consumidor final.
Em relação ao peso específico dos aumentos previstos no cálculo do índices de inflação medidos pelo IBGE, Márcia disse que um reajuste de 7,5% dos combustíveis contribuiria com 0,1% no percentual do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) deste mês, e com 0,25% na alta do Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA).
O índice de reajuste das tarifas telefônicas ainda não foi determinado. Mas no cálculo do INPC, o peso deste preço é de 0,77%. No IPCA, o peso é de 2,02%. O primeiro índice mede a influência da alta de preços para famílias com renda de um a sete salários mínimos, e o segundo, para famílias com rendimentos entre um e 33 salários mínimos.
De acordo com a técnica, um aumento nas tarifas dos correios teria pouca importância - o peso no IPCA seria inexistente, e no INPC, de apenas 0,0013%.
Em relação ao reajuste de 16,25% nos preços da Cemig, Márcia afirmou que o impacto no resultado do INPC deste mês, medido em 11 regiões, será de 0,02%, mas vai contribuir com 0 20% na inflação de Minas Gerais.
O chefe do Centro de Estudos de Preços da FGV-RJ, Paulo Sidney Mello Cota, afirmou que os reajustes nos preços das tarifas públicas, previstos a partir deste mês, devem tornar o processo de queda dos índices de inflação mais lento, mas não chegarão a mudar esta tendência. A influência do reajuste de 7,5% dos combustíveis no Índice Geral de Preços (IGP) vai depender do dia em que ele entrar em vigor, afirmou o economista.
De acordo com Cota, dos aumentos de tarifa de energia elétrica concedidos para quatro distribuidoras pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), apenas o autorizado pela a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) terá influência no cálculo do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da FGV-RJ. O índice, um dos três que formam o IGP, é calculado apenas no Rio de Janeiro e São Paulo.

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