Rio de Janeiro - O Banco Central (BC) está com medo do crescimento. Entre economistas e consultores, são diversos os argumentos a favor e contra a surpreendente elevação da taxa básica de juros em 0,5 ponto porcentual, para 16,75% ao ano, anunciada na quarta-feira. Boa parte do debate pode ser sintetizada na questão do ''crescimento potencial do PIB''.
Para muitos a semana é de expectativa em torno dos indicadores que sinalizam alta de inflação. Na linguagem dos economistas, o ''produto potencial'' é quanto a economia consegue crescer sem provocar pressões inflacionárias ou nas contas externas (quando as exportações caem e as importações sobem, até níveis perigosos).
O PIB brasileiro cresceu a uma taxa anualizada de 6,8% na média dos três últimos trimestres até junho. A média das projeções do mercado para o crescimento do PIB em 2004 é de 4,54%, e vem subindo desde junho, quando estava em 3,46%. Muitos analistas já falam que a economia deve crescer entre 4,5% e 5% este ano.
Ninguém sabe ao certo qual é o crescimento potencial do PIB brasileiro. Segundo Edward Amadeo, da Consultoria Tendências, ''vários economistas estimam uma faixa de 3% a 3,5% ao ano''. Só os mais otimistas chegam a 4,5% ou mais. Para a maioria dos economistas, é de 3,5%.
Nesta visão, o ritmo atual de crescimento da economia brasileira pode se mostrar insustentável a médio prazo. No curto prazo, dado que o País teve um crescimento anual médio de apenas 1,4% de 1998 a 2003, alguns economistas acham que é possível sustentar um crescimento acima do potencial. ''Cresce 4,7% este ano, mais uns 3,5% a 4% em 2005, e aí esgotou, não dá mais para crescer acima de 3% a 3,5% sem gerar inflação'', diz Amadeo.
Os principais fatores que determinam o quanto um país pode crescer são a taxa de investimentos e a produtividade, que aumentam a capacidade de produzir e criam condições para que uma demanda mais aquecida não leve a pressões inflacionárias ou nas contas externas. Quanto à produtividade, a opinião dominante é de que o Brasil fez progressos, mas não devem ocorrer milagres. A discussão vem se concentrando mais é na taxa de investimentos. ''Apesar de ter crescido recentemente, ela está baixa em termos históricos'', diz Beny Parnes, diretor-executivo do Banco BBM e ex-diretor da área externa do BC.

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