Produtores mais capitalizados e os atuais preços ruins da saca de soja estão freando as vendas da commodity no início da safra 2014/15 no Paraná e em outros estados que trabalham com a cultura. Diferentemente das duas safras anteriores, quando neste momento a movimentação do produto no mercado estava em percentuais consideráveis, o atual cenário mostra uma comercialização bastante fraca, com os sojicultores preferindo não fechar negócios no mercado futuro.
De acordo com os últimos dados divulgados pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab), no final de setembro o plantio da soja 2014/15 estava na casa dos 7% e a comercialização em ínfimos 5%. Na safra 2013/14, no mesmo período, o plantio era de 2%, enquanto a comercialização já era de 19%. Vendo números mais anteriores, na safra 2012/13, a comercialização no mesmo período estava na casa dos 30%, enquanto o plantio era apenas de 2%.
O técnico do Deral que trabalha com a cultura, Marcelo Garrido, explica que o produtor está mais tranquilo, já que conseguiu se capitalizar com os ótimos preços da saca referentes às temporadas passadas. "Nas duas safras anteriores, os preços eram melhores e havia quebra de produção nos Estados Unidos. Com a demanda forte e os valores altos, a comercialização fluiu com naturalidade, o que não acontece esse ano", explica ele.
Outro fator que joga os preços para baixo neste momento é a expectativa de safra recorde nos Estados Unidos, que está sendo colhida e deve atingir a marca de 106 milhões de toneladas. "Essa supersafra dos americanos e também a boa expectativa da safra na América do Sul faz com que o produtor se sinta confortável em segurar o produto. Ele não quer realizar transações precipitadas", relata Garrido.
Entre setembro de 2013 e o mesmo mês deste ano, o preço da saca de 60 kg da soja no Paraná caiu de R$ 63 para R$ 53,3, uma queda de 15%. Só no último trimestre, a retração foi de 5,3%. "Essa semana os valores se recuperaram um pouco em Chicago, principalmente porque a colheita norte americana travou devido às chuvas, além do plantio ter ficado mais complicado na América do Sul. Entretanto, ainda é difícil fazer um prognóstico sobre os preços. Eles devem continuar baixistas e os produtores segurando a mercadoria", complementa o técnico do Deral.
Segundo o zootecnista e especialista de mercado da Scot Consultoria, Rafael Ribeiro, tal atraso na comercialização é um movimento que está ocorrendo nos principais estados produtores. "No Mato Grosso, por exemplo, até o momento temos 16% das vendas fechadas, enquanto no ano passado era de 41%. Vale dizer que isso não é um problema de demanda, que segue firme, mas sim do aumento de oferta", comenta.
Ribeiro lembra que a China continua com ritmo forte de compra da commodity, tanto dos Estados Unidos como do Brasil. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), o País exportou para os chineses, entre janeiro e setembro, 28,6 milhões de toneladas, seguido dos EUA, com 17,3 milhões. "São bons números que devem continuar firmes. A situação de queda nos preços está diretamente ligada à oferta excessiva neste momento", complementa o zootecnista.

Imagem ilustrativa da imagem Ritmo de comercialização da soja está mais lento nesta safra
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