O andamento das votações das medidas do pacote fiscal no Congresso Nacional vai ditar o ritmo da queda dos juros. A meta do governo de reduzir diariamente os juros em 0,5 ponto percentual, de acordo com um assessor da equipe econômica, só será cumprida ‘‘se não houver qualquer acidente de percurso’’. Segundo ele, por temer novos sobressaltos, o Comitê de Política Monetária (Copom) optou por uma queda menor dos juros, na reunião da semana passada. Ao mesmo tempo, no entanto, a mesa de operações do Banco Central está completando esta redução. ‘‘Não pode haver atraso na aprovação das medidas do pacote fiscal que a queda gradual corre o risco de ser suspensa’’, afirmou.
Ele disse, ainda, que a meta requer que os cenários, tanto interno, quanto externos, sejam de tranquilidade.‘‘Se o caso das fitas tivesse provocado saída de recursos poderia ter afetado os juros’’, numa referência à gravação das conversas do ministro das Comunicações, Luís Carlos Mendonça de Barros, e do presidente do BNDES, André Lara Resende. Com as reduções graduais, o governo também tem em mãos uma moeda de troca. ‘‘Na negociação com o Congresso é importante demonstrar que os juros estão caindo’’, salientou o assessor da equipe econômica.
Hoje a Taxa de Assistência do Banco Central (Tban), que é o teto dos juros, está em 42,25%. No dia seguinte à reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) realizada na semana passada, no entanto, o Banco Central já havia reduzido os juros efetivos para 39,5%. Isso nas operações do overnight. Desde lá, a taxa vem sofrendo queda diária de meio ponto. Seguindo esta trajetória, segundo analistas de mercado, na próxima reunião do Copom, no dia 16 de dezembro, os juros efetivos serão de 27,5% e, no final do ano, de 22%. As duas estimativas não são rebatidas no BC.
Segundo os técnicos, no acordo fechado com o Fundo Monetário Internacional (FMI), está prevista a meta de déficit nominal de 4,7% do Produto Interno Bruto (PIB) para o setor público. Eles garantem que esta previsão permite gastos com juros de até 7,3% do PIB. ‘‘Mas esta previsão não deverá ser cumprida’’, garantem as fontes do BC. No ajuste fiscal anunciado pelo governo também está estimado que os juros médios, no próximo ano, serão de 21,80%. Mas esta também é outra meta que não se pretende atingir. ‘‘Se tudo continuar assim, estamos nos encaminhando para uma política monetária mais folgada que a atual’’, asseguram os técnicos. E complementam afirmando que ‘‘a média do próximo ano será menor’’.
Sobre as críticas de analistas considerando que a política de redução gradual de meio ponto ao dia está sendo mais cara ao governo, os assessores do Banco Central rebatem dizendo que ‘‘o governo não poderia correr risco’’. Segundo eles, os juros são uma resultante de uma situação. ‘‘Não pode haver erros’’, concluiu uma fonte lembrando que, no ano passado, na crise da Ásia, a puxada dos juros foi na dose certa. ‘‘Este ano foi acima do necessário’’, salientou. Ele acrescentou, ainda, que, com a redução gradual, ‘‘o Copom não precisa fazer reuniões extraordinárias’’.

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