Ritmo da indústria é o menor desde 2003
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quarta-feira, 27 de julho de 2005
Agência Estado 
Rio de Janeiro - O desaquecimento da indústria de transformação em julho é o maior dos últimos dois anos, influenciado pela escalada dos juros iniciada em setembro. Isso é o que mostra pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) entre 930 empresas de todo o País, com faturamento conjunto de R$ 430 bilhões em 2004. Para a FGV, porém, há chances de o ritmo de expansão industrial mostrar algum fôlego até o fim do ano, caso os juros comecem a ceder, mas as exportações deverão recuar. A boa notícia fica para os preços, que deverão cair no atacado.
Pela pesquisa Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação, divulgada ontem, 27% dos empresários responderam que a demanda atual é fraca, só perdendo para os 42% de julho de 2003, quando a taxa básica de juros (Selic, de 19,75% ao ano) estava em 24,5%. Por outro lado, este mês 14% responderam que a demanda está forte, ante 8% há dois anos. Com as vendas em queda, a parcela de indústrias que estão com estoques excessivos saltou de 6% em julho do ano passado para 14% agora.
''No mercado interno, a política monetária, que se tornou mais austera desde setembro do ano passado, é o principal fator a justificar essa desaceleração da indústria'', afirma o coordenador da pesquisa da FGV, Aloísio Campelo. Ele avalia que a desvalorização do dólar em relação ao real vai produzir outro efeito negativo. ''Pelo lado externo, a valorização do câmbio começa a surtir efeito na avaliação das empresas sobre a demanda externa. Aparentemente, nos próximos meses as vendas externas começarão a arrefecer ou até vão se estabilizar'', afirma.
A desaceleração da indústria, no entanto, poderá significar redução de preços no atacado. Segundo a pesquisa da FGV, a parcela de empresários que pretendem aumentar os preços no próximo trimestre caiu de 43% em abril para 27% em julho. A fatia dos que prevêem redução, por sua vez, mais que triplicou, ao passar de 6% para 19% no mesmo período. Esse alívio vem principalmente dos setores metalúrgico, têxtil, couros e peles, químicos e materiais plásticos e na indústria mecânica.
Por outro lado, as expectativas quanto à criação de emprego recuaram. No trimestre de julho a setembro, 24% das empresas pretendem contratar e 15%, reduzir mão-de-obra.


