Ritmo da expansão deve cair no 2º semestre
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quinta-feira, 09 de setembro de 2004
Renata Veríssimo<br> Agência Estado 
Brasília - O setor industrial continuará crescendo no segundo semestre, prevê a Confederação Nacional da Indústria (CNI), mas os resultados não devem ser tão expressivos. As vendas reais da indústria de transformação em julho, por exemplo, descontados os fatores sazonais do mês, tiveram a primeira queda expressiva nos últimos 12 meses, com uma diminuição de 3,31% em comparação a junho. O dado interrompeu uma sequência de quatro meses com crescimento médio mensal de 2,65%.
''Em agosto, o indicador deve voltar a ser positivo, mas não continuará no mesmo ritmo de crescimento dos últimos quatro meses'', afirmou o coordenador da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, ao divulgar ontem os indicadores industriais de julho.
Castelo Branco avaliou que houve uma ''acomodação'' das vendas no mês, já que o ritmo de expansão da comercialização da indústria entre março e junho foi muito significativo. Segundo ele, já era esperado que essa expansão não se sustentaria no longo prazo. Ele previu que os indicadores industriais no segundo semestre ''não continuarão tão fortes'' quanto no primeiro semestre, quando a base de comparação era muito ''fraca''.
Na comparação com julho de 2003, as vendas industriais cresceram 19,45% em julho. Embora seja bom, este resultado é menor que o de junho, quando o crescimento foi de 27,8% na comparação com junho do ano passado. O economista reafirmou a previsão da CNI de mais de 6% para o crescimento da produção industrial este ano e de 4,5% para o Produto Interno Bruto (PIB).
O índice de utilização da capacidade instalada em julho quebrou mais um recorde e atingiu 82,8% (dessazonalizado), ultrapassando o índice de 82,6% em junho. Castelo Branco previu que o indicador deverá continuar crescendo até outubro, pico histórico de utilização fabril, já que as indústrias estão se preparando para atender às encomendas de fim de ano.
O economista alerta que, em razão disso, o debate sobre a necessidade de investimentos deve continuar pelo menos nestes próximos dois meses. Segundo ele, estão sendo realizados investimentos no setor, como mostram as importações de insumos e bens de capital. A CNI, no entanto, não tem um levantamento da intensidade desse ciclo de investimentos. ''O momento é de expansão da atividade econômica e do mercado externo'', afirmou. ''Não vejo com pessimismo ou como um fato alarmante o crescimento da utilização da capacidade instalada. Acho que serve de alerta para a necessidade de novos investimentos, mas não vejo isso como uma coisa ruim.''


