Riscos podem ameaçar expansão econômica
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segunda-feira, 09 de fevereiro de 2004
Vladimir Goitia<br> Agência Estado 
São Paulo - O presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), Antônio Corrêa de Lacerda, apontou sérios riscos para o crescimento sustentável da economia do País se o governo não resolver, ainda este ano, gargalos em áreas fundamentais como infra-estrutura, logística e custo Brasil.
''Este ano será fácil crescer de 3% a 4%, tanto em decorrência do cenário internacional como pelas pré-condições internas'', disse Lacerda, ao citar a recuperação da economia norte-americana e a significativa expansão da China, além do equilíbrio conseguido pelo governo nas contas externas.
Lacerda explicou que o risco é o crescimento econômico praticamente garantido para este ano se transformar apenas em uma bolha. ''A crise de 2001 mostrou que a questão energética, por exemplo, era importante. Mas o problema não é só esse, já que os grandes gargalos estão no transporte e na logística, além do custo Brasil.''
Para o presidente da Sobeet, esse é o grande dilema do governo e o grande desafio para o País. O alerta, porém, não partiu apenas de Lacerda. O presidente da Câmara Brasil-Alemanha, Ben van Schaik, disse que, embora as bases macroeconômicas sejam boas, como a inflação sob controle, câmbio estável e contas externas equilibradas, faltam outros aspectos para alavancar o desenvolvimento do País. ''Para alcançar índices de crescimento mais consistentes, é necessário reduzir os juros, já que a situação atual freia os investimentos diretos e desacelera a economia'', disse Van Schaik.
Van Schaik, também principal executivo da Mercedes-Benz do Brasil, apontou a carga tributária como outro entrave para a expansão econômica. ''É um enigma como a economia (brasileira) ainda funciona com esse nível de juros e carga tributária gigantesca, que não preciso dizer que está entre as mais altas do mundo'', afirmou.
Já Lacerda criticou duramente a meta de inflação como ''único parâmetro'' para as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central em relação à taxa Selic. De acordo com ele, a política monetária não pode mais ficar restrita à meta da inflação, que, por sua vez, está atrelada aos preços administrados pelo governo (tarifas).


