São Paulo O risco País continuou ontem em sua trajetória de queda, recuando mais 2,05%, para 668 pontos, o mesmo nível registrado em 29 de janeiro de 2001. No melhor momento do dia, o indicador atingiu 658 pontos, o mais baixo desde março de 2000, um movimento estimulado pela aprovação, em primeiro turno, da reforma tributária na Câmara, pelo interesse maior dos investidores por títulos de países emergentes e pelo otimismo com as contas externas do Brasil. Nos últimos 30 dias, o risco país caiu 25,36%, de 895 para 668 pontos. O C-Bond, o principal título da dívida, subiu 1,04%, para 91,25% do valor de face o risco país é calculado com base em uma cesta de papéis da dívida.
O economista Fábio Akira, do banco JP Morgan, diz que a velocidade de tramitação das reformas previdenciária e tributária tem surpreendido os investidores, contribuindo para a melhora da percepção do risco Brasil nas últimas semanas. Outro ponto importante é que o apetite global por aplicações mais arriscadas aumentou, como afirma o economista-chefe do BNP Paribas, Alexandre Lintz.
Há uma expectativa de recuperação mais consistente da economia americana e a aposta de que os juros nos países desenvolvidos vão continuar em níveis baixos por mais tempo. Isso estimula os investidores a buscar as bolsas e os títulos da dívida dos emergentes. O risco médio dos países em desenvolvimento caiu 15,6% nos últimos 30 dias, para 487 pontos.
Nesse período, o risco Brasil recuou com mais força. Ontem, o indicador brasileiro estava 37% acima do risco médio dos emergentes. Há um mês, a diferença era de 55%. Além do otimismo do mercado com as reformas, Lintz diz que as boas notícias sobre as contas externas também explicam o tombo do risco brasileiro. Akira concorda, lembrando o excelente desempenho da balança comercial neste ano ele, por exemplo, acabou de revisar sua projeção para o saldo comercial em 2003 de US$ 17 bilhões para US$ 21,2 bilhões.

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