São Paulo - O risco-país brasileiro fechou em baixa de 3,5%, a 2.307 pontos, após subir 20% nos últimos dois dias. Três fatores influíram nessa melhora, que só não foi maior devido à alta do dólar, que levou a moeda norte-americana a R$ 3,47 e inflou mais um pouco a dívida do país.
A primeira foram os rumores de que o governo teria recomprado C-Bond - o principal título da dívida brasileira negociado no exterior - no início da manhã, dando impulso a uma alta do papel. Como o risco-país, medido pelo banco JP Morgan por meio de seu índice Embi+, é calculado pela diferença entre os juros pagos por uma média dos títulos do país e os pagos pelo Tesouro dos EUA, isso tem ação direta sobre o indicador.
Ontem o C-Bond fechou em alta de 1,84% e a 51,938% do valor de face. Quanto maior o preço do títulos, menores seus juros e menor a chance do país decretar moratória - logo, menor o risco -país.
O segundo fator foi a chegada ontem a Washington de uma missão chefiada pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Amaury Bier, para negociar um novo pacote de ajuda financeira para o país com o FMI. Na semana passada, a vice-diretora-gerente do Fundo esteve no Brasil, onde se reuniu com membros da equipe econômica do governo, embora tenha negado que a visita tivesse como objetivo a negociação de um pacote.
Finalmente, ontem, o jornal britânico ''Financial Times'', uma das publicações sobre economia mais conceituadas do mundo, traz um artigo no qual defende os fundamentos da economia brasileira, afirmando que esses são melhores do que os da economia argentina, e critica o fechamento das linhas externas para as empresas brasileiras.

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