O temor de que a Argentina decrete um ‘‘default’’ (calote) da dívida nos próximos dias está se tornando mais forte no mercado. Hoje, o risco-país medido pelo índice EMBI do JP Morgan chegou a subir para 1.750 pontos básicos, um novo recorde.
A taxa recorde está no patamar de segunda maior do mundo. A taxa argentina só perdeu para a da Nigéria, de 1.798 pontos. No terceiro lugar aparece o Equador, com 1.500 pontos.
O clima pessimista já havia se agravado na última terça-feira, quando a Argentina pagou taxa de 14,01% para as Letes (Letras do Tesouro) de 91 dias leiloadas pelo Ministério da Economia. A taxa foi considerada elevada pelo mercado e sinalizou a dificuldade que o governo vem tendo para rolar sua dívida. A taxa paga no último leilão de Letes com o mesmo prazo foi de 9,1%.
A consequência dessa preocupação é que os títulos da dívida pública argentina registraram ontem forte desvalorização no mercado internacional, afetando também os papéis de outros países emergentes. A preocupação se agravou mais depois que o deputado da Frepaso (partido que faz parte da Aliança de apoio do governo De la Rúa) Alejandro Peyrou disse que o partido não concorda com as medidas anunciadas ontem pelo governo.
O FRB, um dos mais negociados e considerado o mais líquido antes da megatroca da dívida, e o Global 2008, que se tornou o papel mais líquido com o swap, apresentaram quedas de mais de 10% do valor de face. Também ontem, a Bolsa de Buenos Aires bateu recorde de baixa, ultrapassando a casa dos 10%.

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