Embora a maioria da população desconheça o significado do termo risco-país, a expressão pode influenciar diretamente na vida das pessoas. O risco Brasil é um índice que tenta quantificar os perigos de se investir em um determinado país e, basicamente, pode influir nas taxas de juros pagas pelo governo e setor privado no momento de captar recursos no mercado internacional. Quanto maior a taxa paga, mais o governo terá que economizar (para atingir o superávit primário) para honrar a dívida. A operação, consequentemente, vai descapitalizar o governo, que ficará sem recursos para obras de infra-estrutura básica, por exemplo.
Segundo o economista Renato Pianowski de Moraes, o termo risco-país surgiu durante o período Pós-Guerra com o Banco Mundial. Atualmente, três diferentes empresas medem o risco oferecido pelos países e a confiança que os investidores têm que um país vá honrar suas dívidas. Para calcular o índice, essas instituições usam como comparação os juros que um país paga por títulos de sua dívida com relação ao que os Estados Unidos pagam pelos seus. Os americanos são considerados risco zero de calote. Quanto maior a possibilidade de uma moratória, mais o país terá de pagar juros para que os investidores comprem seus títulos.
''Se algum país já decretou moratória em algum momento isso vai marcar a sua história pregressa e o risco vai subir, como é o caso da Argentina'', explica o economista. No entanto, ele avalia que embora o risco Brasil esteja caindo, isso não significa que seja totalmente seguro investir no país. ''Esse índice é um indicativo de curto prazo e qualquer desastre que atinja um Estado pode refletir em insegurança para os investidores'', comenta. Na sua avaliação, o trabalho desenvolvido pela equipe econômica brasileira - como a antecipação de parte do pagamento da dívida externa brasileira, opção pelo alongamento dos prazos dos títulos da dívida pública e respeito aos contratos antigos - tem inspirado confiança nos investidores estrangeiros.
''Para ser considerado um bom pagador é preciso relativizar sobre o nível de endividamento e a capacidade de pagamento. O ideal é comprar a crédito e honrar essa dívida. Já o mau pagador terá que pagar um 'plus' por isso e as taxas cobradas serão mais altas'', afirma Pianowski. Já as altas taxas de juros praticadas ajudam na atração de investidores internacionais e na manutenção do crédito aplicado no País. ''Mesmo o dinheiro aplicado na Bolsa de Valores, dos chamados especuladores, é bom porque ajuda a financiar empresas instaladas aqui no Brasil. E, de qualquer forma, esse dinheiro poderia estar em outro País'', comenta.

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