Risco melhor calculado
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 03 de janeiro de 2017
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) divulgou nos últimos dias de 2016 as atualizações no Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para o milho segunda safra, com inclusão de 52 cidades paranaenses e mudanças nos degraus de perigo de quebra para a maioria dos municípios. O estudo foi feito pela Empresa Brasileira de Pesquisa Brasileira (Embrapa) e atende demanda da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), por considerar que a adoção de novas cultivares e de avanços tecnológicos pediam a modernização dos critérios, o que não ocorria há 20 anos.
Na prática, o plantio durante os prazos do Zarc é uma exigência de financeiras para que o produtor tenha acesso ao crédito agrícola, ao Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) e ao seguro rural, além de representar os períodos de maior chance de sucesso de safra. A maioria dos municípios incluídos está no noroeste do Estado, onde pouco se plantava milho segundo safra há 20 anos.
Muitos outros, porém, passaram a contar com degraus que variam de 20% a 40% de risco em cada decênio, período de dez dias a partir de janeiro até 20 de março para o plantio do grão. Isso mostra que alguns períodos estavam subestimados no Zarc de safras anteriores.

Desafios
Assessor técnico e econômico da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), Gilson Martins considera que a atualização é benéfica por incluir cidades no Zarc e por melhor representar os degraus de risco de hoje, o que inclui a redução da janela de plantio. Porém, diz que será preciso esperar os próximos meses para entender como seguradoras, por exemplo, vão usar as informações. "Operacionalmente, o grande desafio será se o produtor vai querer aproveitar a janela de 20%, porque normalmente ele planta logo depois que ocorre a chuva de que ele precisa, ou, em caso de seca, usar a janela de 30%", diz. "Existe a chance de as seguradoras criarem franquias diferentes de indenização para cada janela, então teremos de esperar para ver."
Martins afirma que, por mais que possa ser alvo de críticas de alguns produtores, é preciso existir algum critério para facilitar o acesso ao crédito. "E é sempre pensando em condições climáticas de longo prazo", completa.
Para o gerente técnico da Integrada Cooperativa Agroindustrial, Irineu Baptista, as mudanças que a agricultura sofreu nos últimos 20 anos são gigantes. "Temos variedades de soja que são mais precoces, então a produção do milho segunda safra triplicou. Não são só as mudanças climáticas, mas de todo um sistema produtivo que foram levadas em consideração", conta. Ao mesmo tempo, Baptista acredita que os avanços dão maior segurança ao agricultor.
Novos locais
Conforme relatório assinado pelo coordenador do Departamento Técnico e Econômico da Faep, Pedro Loyola, a novidade permite que os produtores rurais, agentes financeiros, seguradoras e o próprio governo federal tenham a gestão do risco climático mais confiável para tomar decisões. Além de adicionar os indicadores de risco de 30% e 40% para localidades onde havia apenas a janela de 20%, ele destaca a inclusão de municípios que já cultivavam milho de segunda safra há mais de dez anos com boa produtividade, principalmente os 20 do noroeste do Estado.
Os municípios incluídos são Alto Paraíso, Altônia, Amaporã, Cafeara, Cafezal do Sul, Cidade Gaúcha, Colorado, Cruzeiro do Oeste, Cruzeiro do Sul, Diamante do Norte, Douradina, Esperança Nova, Guairaça, Guaporema, Icaraíma, Inajá, Iporã, Itaguajé, Itaúna do Sul, Ivaté, Jardim Olinda, Loanda, Lupionópolis (esta, na Região Metropolitana de Londrina), Maria Helena, Marilena, Nossa Senhora das Graças, Nova Londrina, Nova Olímpia, Paranacity, Paranapoema, Paranavaí, Perobal, Pérola, Planatina do Paraná, Porto Rico, Querência do Norte, Rondon, Santa Cruz de Monte Castelo, Santa Inês, Santa Isabel do Ivaí, Santa Mônica, Santo Antônio do Caiuá, Santo Inácio, São João do Caiuá, São Jorge do Patrocínio, São Pedro do Paraná, Tapejara, Tapira, Terra Rica, Umuarama, Uniflor e Xambrê.
A portaria 230, de 8 de dezembro de 2016, estima que, de acordo com levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Paraná deverá produzir 11,7 milhões de toneladas de milho na segunda safra 2016/2017.


