Risco global de instabilidade permanece alto
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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Adriana Fernandes e<br>Fernando Nakagawa<br> Agência Estado 
Brasília - O Banco Central avaliou que, desde novembro, os riscos para a estabilidade financeira global se mantiveram elevados e teve continuidade o processo de deterioração do cenário internacional. O Comitê de Política Monetária (Copom) destacou que o cenário internacional manifesta viés desinflacionário no horizonte relevante.
''Já naquela oportunidade (da divulgação de ata de novembro), se contemplavam reduções generalizadas e de grande magnitude nas projeções de crescimento para os principais blocos econômicos'', afirmou o documento divulgado ontem. Na avaliação do Copom, permanecem elevadas as chances de que restrições às quais hoje estão expostas diversas economias maduras se prolonguem por um período de tempo maior do que o antecipado. Para o BC, ''parece limitado'' nessas economias o espaço para utilização de política monetária e prevalece um cenário de restrição fiscal.
''Além disso, em importantes economias emergentes, apesar da resiliência da demanda doméstica, o ritmo de atividade tem moderado, em parte, consequência de ações de política e do enfraquecimento da demanda externa, via canal do comércio exterior'', destacou o BC.
Gasolina e gás de cozinha
O Banco Central manteve a previsão de que os preços da gasolina e do gás de botijão devem ter aumento zero no acumulado de 2012. De acordo com a ata da reunião de janeiro do Comitê de Política Monetária (Copom), os diretores do BC preveem ainda que as tarifas de telefonia fixa devem ter aumento de 1,5% no ano e a eletricidade deve ser reajustada em 2,3% em 2012. Todas as previsões são idênticas às feitas na ata passada, na reunião de novembro de 2011.
O documento mostrou ainda que a previsão de aumento do conjunto de tarifas públicas - também conhecidas como preços administrados - foi mantida em 4% em 2012, mesmo valor considerado em novembro. Para 2013, a expectativa de reajuste desse conjunto de itens foi elevada ligeiramente, de 4,5% previstos no encontro anterior para 4,6%.
Segundo o BC, essa estimativa leva em conta, ''entre outras variáveis, componentes sazonais, variações cambiais, inflação de preços livres e inflação medida pelo Índice Geral de Preços (IGP)''.
Relevante
O Banco Central retirou do texto da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) a expressão ''relevante'' que era usada para contextualizar os riscos para a inflação decorrentes do descompasso entre as taxas de crescimento da oferta e da demanda na economia brasileira.
Na ata da reunião de novembro do Copom, a palavra ''relevante'' foi usada para qualificar o descompasso. Mas na ata divulgada ontem, referente a reunião do Copom da semana passada, o BC retirou a palavra relevante, mantendo a avaliação de que esses riscos são decrescentes. ''O Copom avalia como decrescentes os riscos derivados da persistência do descompasso, em segmentos específicos, entre as taxas de crescimento da oferta e da demanda'', apontou o documento.


