Risco de ''tsunami monetário'' eleva chance de corte maior de juro
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domingo, 04 de março de 2012
Ricardo Leopoldo <br> <br> Agência Estado 
São Paulo - ''Aumentou muito nos últimos dias o senso de urgência do governo para coibir a sobrevalorização do câmbio, especialmente com a manifestação da presidente Dilma Rousseff de ''tsunami monetário'' dos países desenvolvidos'', comentou um ex-diretor do Banco Central à Agência Estado. ''E quando isso ocorre, medidas federais tendem a ser adotadas com rapidez para atingir não só a consequência da apreciação do real ante o dólar, mas sobretudo suas causas, como o atual patamar da Selic'', destacou.
Na avaliação desse ex-diretor do BC, não foi por outro motivo que o mercado de juros futuros começou a precificar que há alguma chance relevante de que o Banco Central acelere o ritmo de corte da Selic na próxima quarta-feira. Ele acredita que o Copom diminuirá a taxa em 0,50 ponto porcentual, mas não ficará surpreso se do debate técnico realizado por dois dias pela instituição em Brasília for aprovada uma queda de 0,75 ponto porcentual, o que já a levaria para o patamar de um dígito, pois atingiria 9,75% ao ano.
Para essa fonte, na lista de prioridades do governo para evitar que um ''tsunami monetário'' acabe fortalecendo muito mais o real ante o dólar no curto prazo ele destaca três delas: ''a redução dos juros pelo BC, alguma medida para fazer uma triagem mais focalizada nos empréstimos intercompanhias, a fim de evitar ingresso de recursos vindos de fora para especulação financeira, e ampliar o prazo da cobrança do IOF para empréstimos adquiridos no exterior'', destacou. ''Medidas macroprudenciais para segurar a apreciação do câmbio podem até surgir, mas não creio que serão implementadas agora, pois outras ações devem ser adotadas antes'', disse.
O ex-dirigente não acredita que entre as medidas que o governo pode implementar em breve esteja a quarentena para o ingresso de capitais, com prazo mínimo de seis meses de permanência no País, como defendeu semana passada o ex-Secretário de Política Econômica, Luiz Gonzaga Belluzzo.
Segundo esse ex-diretor do BC, mais importante do que a manifestação do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, feita há cinco dias no Senado, de que o Copom baixou os juros desde agosto porque o PIB estava num ritmo inferior ao seu potencial desde o terceiro trimestre, é a constatação de que o nível de atividade indica que ainda não pegou ''tração'' em 2012. Ele fez o comentário com base em indicadores econômicos registrados em janeiro e fevereiro, entre eles a venda de automóveis, que caíram 6,65% no mês passado ante o anterior e 8,85% em relação a fevereiro de 2011, como apontou a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).
De acordo com o ex-diretor do BC, esses sinais de que a recuperação da economia está aquém do esperado, inclusive até para autoridades do governo, reforça sua avaliação de que os juros deverão atingir 9% até 30 de maio, quando o Copom encerrará a sua última reunião do primeiro semestre.


