Risco de reversão para déficit é real
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 02 de março de 2001
Agência Estado De Washington 
O presidente do Federal Reserve, Alan Greenspan, alertou que o atual enfraquecimento do mercado acionário norte-americano reforça o risco de as previsões de superávit total de US$ 5,6 trilhões nos próximos dez anos não se confirmarem, mas não reviu o seu apoio implícito aos projetos de cortes amplos de impostos neste ano.
Em depoimento ao Comitê de Orçamento da Câmara, Greenspan afirmou que a moderação dos preços das ações no ano passado coloca em risco as previsões sobre superávits orçamentários. O presidente do Fed, no entanto, sugeriu que os riscos não são tão amplos para impossibilitar o corte de impostos.
É claro que a incerteza sobre as perspectivas de receitas parecem ser menos problemáticas em vista do intervalo entre a data da emissão das obrigações e aquela em que podem ser resgatadas (cushion) permitido pelas recentes revisões em alta das projeções de superávits para os próximos dez anos, afirmou.
Mas o risco de uma reversão do movimento das receitas ainda é real e a probabilidade de uma volta a uma situação de déficit, como consequência de políticas fiscais imprudentes, não é desprezível.
Greenspan disse também que a inflação não é preocupação do Banco Central norte-americano no curto prazo e que as elevações nos preços ao consumidor e ao produtor registradas durante janeiro foram apenas soluços.
Greenspan ponderou, no entanto, que as autoridades continuam observando possíveis pressões inflacionárias, que vêm lentamente surgindo desde o ano passado. Mas acrescentou: O problema que vemos nesse aspecto em particular não é de pressão inflacionária emergencial. Estamos preocupados, de forma geral, em manter o ambiente estável no longo prazo.
Separadamente, Greenspan afirmou que continua despreocupado com a redução dos títulos do Tesouro disponíveis por causa do programa federal de redução da dívida em momentos de superátiv no orçamento.
O presidente do Federal Reserve exortou o Congresso norte-americano a conceder autoridade fast track (via rápida) ao presidente George Bush, para que ele possa negociar acordos comerciais com outros países.
Para Greenspan, esse privilégio presidencial seria crucial para os interesses dos Estados Unidos e o livre comércio global.


