Risco de inflação será maior que a questão fiscal
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quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Luciana Xavier eCristina Canas<br> Agência Estado 
São Paulo - O risco de inflação em 2010 é maior do que o risco fiscal, acredita o economista José Márcio Camargo, professor da PUC-RJ e economista da Opus Gestão de Recursos, que se considera um otimista ''moderado''. ''Ainda tenho enorme resistência em dizer que crise é um assunto do passado'', disse em entrevista.
Sua resistência, no entanto, conforme observou, se refere mais às incertezas no cenário externo, especialmente Estados Unidos, do que propriamente o Brasil. Camargo disse que há sinais na economia que sugerem que o Brasil poderá crescer a taxas relativamente altas até o final deste ano e atingir 4,5% a 5% no final de 2010, mas esse pacote de prosperidade, de acordo a avaliação do economista, deve trazer também pressões inflacionárias.
Afinal, conforme ele mesmo ressaltou, o crescimento estará calcado mais no mercado doméstico do que no internacional, que de um modo geral, especialmente nos desenvolvidos, deve crescer a taxas mais módicas do que o Brasil. No curto prazo, Camargo acredita que a inflação pode ter queda, por causa da inércia no setor de serviços. Mas é justamente do setor de serviços que deve vir a pressão dos preços daqui a uns meses.
''O excesso de demanda do setor de serviços deve começar a pressionar a inflação no primeiro semestre do ano que vem. Isso vai incomodar o Banco Central. O BC vai ficar desconfortável quando os preços de serviços e ''não-comercializáveis'' começarem a dar sinais de aumento. Mas não vou dizer que o BC vai agir imediatamente'', afirmou.
Para Camargo, a autoridade monetária vai tentar monitorar as expectativas de mercado por meio de declarações e sua primeira ação pode ser via encolhimento do crédito, e não por aumento de juros. Camargo ressaltou que a resistência do mercado de trabalho com a crise, ao contrário de outros países, foi e deve continuar a ser um importante pilar de sustentação da economia daqui para frente.


