A expectativa de guerra entre Estados Unidos e Iraque vai continuar ditando o rumo dos mercados nesta semana, apesar de a ONU não incriminar o Iraque, conforme parecer concluído na sexta. O início de uma ação americana tenderia a pressionar ainda mais a cotação do barril de petróleo e, dependendo de sua duração, acentuaria a escassez de capital disponível para investimentos externos, principalmente em mercados emergentes, como o Brasil. Um cenário desses favoreceria a alta do dólar e dos juros e queda das bolsas, agravando as incertezas no mercado financeiro. Do ponto de vista do investidor, o mais indicado, segundo especialistas, é que se mantenha conservador, em aplicações atreladas a juros pós-fixados, como os fundos DI.
  Segundo o economista-chefe do ABN Amro, Hugo Penteado, a instabilidade do mercado só cederá quando se reduzirem as incertezas em relação à guerra. Para ele, o desdobramento mais provável seria o início do confronto militar em até quatro semanas e seu término também em aproximadamente quatro semanas. ‘‘Se isso ocorrer, os primeiros movimentos do mercado serão adversos, mas, se não houver surpresas, o cenário poderá melhorar rapidamente em seguida.’’ Porém, ainda que o sentimento seja de normalidade após a guerra, a economia dos EUA e global ainda enfrentarão contratempos, diz.
  Também é considerada por ele a possibilidade de que a ação militar leve mais tempo para ser desencadeada e para um desfecho. Nesse cenário, considerado o pior de todos por Penteado, o preço do petróleo se manteria em nível elevado por mais tempo, os recursos externos minguariam, fazendo com que o dólar disparasse, e as bolsas despencariam.
  O economista comenta que o Brasil ainda continua demasiadamente vulnerável ao mercado internacional. Um estrangulamento de recursos externos, necessários ao fechamento das contas públicas, pressionaria o dólar e, por tabela, a inflação, exigindo a elevação das taxas de juro. A bolsa também não escaparia de uma queda mais acentuada.
  Juro - Nesta semana, será definida a nova taxa básica de juros. O economista-chefe do ABN estima que a Selic tenha elevação de um ponto porcentual, para 26,5% ao ano, numa iniciativa do Banco Central para conter o avanço da inflação.
  Daí por que ele sugere que os investidores permaneçam em aplicações ligadas a taxas pós-fixadas, como o fundo DI e o CDB-CDI. Não há margem para aposta no momento, afirma. ‘‘Uma reavaliação deverá ser feita apenas quando não houver mais risco de guerra ou ela tenha acabado.’’
  Para Penteado, aplicações em bolsa e a juros prefixados embutem elevado risco de perda pelas incertezas do cenário mundial. Mas ele alerta aos investidores em fundos de renda fixa prefixados que não corram afoitamente para um DI, sem uma consulta ao gestor sobre a composição da carteira. Muitas delas já carregam apenas papéis pós-fixados. Quem tiver um CDB prefixado de longo prazo poderá reavaliar o investimento, afirma. Já o investidor mais agressivo tem uma oportunidade de especular em um fundo cambial, apostando na alta do dólar, pois os cenários prováveis indicam a alta da moeda.

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