Risco de geada põe cafeicultor em alerta
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terça-feira, 20 de junho de 2000
Benê Bianchi De Londrina 
Os cafeicultores do Norte do Estado estão em alerta contra a geada. Ontem, o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) divulgou um boletim informando da possível ocorrência de quedas bruscas de temperatura na madrugada de hoje para amanhã. O comunicado será confirmado hoje pelo setor de meteorologia do Instituto.
No caso de a geada vir a ocorrer, as previsões para a safra de café deste ano não devem ser muito comprometidas, segundo o economista rural do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura, Paulo Sérgio Franzini, de Apucarana. Da produção que ainda está no pé, cerca de 85%, apenas algumas regiões mais altas apresentam lavouras com maturação tardia, em função da variedade e da própria altitude. Essas sim, se ocorrer geada severa, podem ter comprometida a qualidade dos frutos que estão em fase final de maturação. Mas essas lavouras representam pouco. Portanto, a produção desta safra corre pouco risco de danos severos, diz Franzini.
Mas os efeitos da possível geada de amanhã podem comprometer a produção do próximo ano, assim como os ventos frios registrados em abril e agosto do ano passado, associados à estiagem prolongada, comprometeram a produção deste ano. Do potencial inicial estimado para esta safra, já houve uma queda de 800 mil sacas caiu de 3 milhões de sacas para 2,2 milhões.
As únicas lavouras que têm condições de manejo, para amenizar os efeitos da possível geada, são as de até dois anos, ou seja, cerca de 15 mil dos 147 mil hectares plantados em todo o Estado. Os pés com até seis meses devem ser totalmente cobertos com terra. Nos de seis meses a dois anos, a terra deve ser amontoada no tronco até a altura do primeiro ramo lateral. É mais barato fazer o manejo do que perder tudo e ter que replantar, alerta o pesquisador do Iapar Armando Androcioli.
Mesmo sendo um alerta direcionado a cafeicultores, o risco de geada também preocupa os produtores de milho safrinha e o próprio Deral, que teme por uma quebra da produção ainda pior que a registrada até agora. Seria o golpe de misericórdia, diz a engenheira agrônoma do departamento, Vânia da Rocha Zardo. O Norte do Estado já vem de um problema sério com a longa estiagem e uma quebra já constatada de 50% da produção em algumas localidades, como Londrina e Cornélio Procópio.
No Oeste e Centro-Oeste, que junto com o Norte são as regiões maiores produtoras do Estado, o desenvolvimento da lavoura está bom mas a produção não está garantida. O milho está em várias fases, diz Vera. O Deral já fez reavaliações da produção deste ano, que seria de 3,250 mil toneladas, para 2,900 mil toneladas devido à estiagem, e na quarta-feira anuncia uma nova reavaliação.


