Risco de desemprego deixa reajuste abaixo da inflação
Agência Estado
Do Rio
A preocupação com o desemprego e com a re cessão levou os trabalhadores brasileiros a negociarem reajustes salariais abaixo da inflação no primeiro semestre de 1999.
Uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que apenas 32% das negociações acompanhadas pelo órgão pediram correção acima da variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre maio de 1998 e abril deste ano.
Esse percentual era de 40% no primeiro semestre do ano passado, quando a crise de empregos já existia mas em nível menor do que agora. Os sindicatos perceberam que é melhor negociar o possível e preservar empregos, destacou o responsável pela pesquisa na CNI, Marcos Medeiros.
O Boletim sobre Negociações Salariais da CNI analisou os desdobramentos de 31 negociações salariais neste primeiro semestre. Os dados revelam que houve também uma queda dos salários médios na indústria nos primeiros três meses de 1999. Depois de quatro anos de crescimento significativo, o salário médio no setor acumulou uma retração de 2,7% entre janeiro e abril frente aos registros do mesmo período do ano passado.
Ele explica que o desemprego e a recessão diminuíram o poder de barganha dos trabalhadores nas negociações salariais. E que a desvalorização cambial aprofundou ainda mais o cenário de desaceleração econômica que já vinha se configurando desde o final de 1999, dificultando ainda mais a negociação salarial dos trabalhadores com os empregadores. O resultado foi um impacto negativo sob o mercado de trabalho brasileiro do ponto de vista de evolução da renda.
Entretanto, Medeiros projeta um cenário mais otimista para o segundo semestre do ano. Segundo ele, a perspectiva de recuperação da economia deve aumentar a oferta de empregos no País, aumentando o poder de barganha dos trabalhadores brasileiros e permitindo acordos mais favoráveis para as categorias melhor organizadas.
Apesar da retração dos salários e dos reajustes menores, o técnico da CNI destaca que as empresas vêm concedendo mais benefícios aos seus trabalhadores. Das 31 negociações acompanhadas pelo órgão no primeiro semestre, a concessão de benefícios apareceu em 54,7% dos casos, sendo que a maioria negociou mais de um tipo de benefícios. Isso é um salário indireto, que complementa a renda do trabalhador sem necessariamente representar um índice de correção, explicou.
Outro ponto positivo levantado pela pesquisa foi uma maior participação dos empregados nos lucros das empresas. O percentual de novos acordos permanece muito baixo, mas não foi esquecido nas mesas de negociações este ano. Essa é uma receita que não é tributável, isso é muito positivo para o trabalhador sem onerar o empregador, ressaltou Medeiro.





