Risco de descontrole da inflação acabou, diz Palocci
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 11 de junho de 2003
Adriana Fernandese Lu Aiko Otta<br> Agência Estado 
Brasília - O ministro da Fazenda, Antônio Palocci, afirmou ontem que o risco de uma inflação explosiva no País não existe mais. Segundo ele, esse risco existia entre novembro de 2002 e fevereiro deste ano. ''Isso é uma vitória importantíssima da política macroeconômica do governo'', afirmou. Palocci afirmou que o combate à inflação está funcionando e que os resultados mostram uma queda do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e uma convergência dos números para a meta de inflação.
''A inflação está caindo em ritmo menor do que todos nós gostaríamos, mas é eficaz o combate à inflação. Isso é o mais importante: quando vemos os índices inflacionários convergindo para as metas'', disse o ministro. Palocci considerou muito positivo o resultado do IPCA de maio, de 0,61%, porque ficou dentro das expectativas.
Sobre a possibilidade de queda da taxa básica de juros, ante a redução da inflação, o ministro foi mais uma vez cauteloso. ''No determinado prazo, isso deve acontecer. A inflação, caindo, puxa a política monetária para juros mais baixos'', disse. Ele acrescentou que a redução dos juros é uma ''decisão técnica'' do Comitê de Política Monetária (Copom). Palocci disse que vai ''acompanhar'' o Copom e dar-lhe todo o seu apoio.
A avaliação do ministro coincide com a do ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu. ''Com a queda da inflação, estamos criando condições para reduzir os juros no País'', afirmou. Ele disse, porém, que o governo não vai fazer uma ''bolha'', baixando temporariamente a inflação ou os juros. ''O País não aguenta isso'', comentou Dirceu. Em vez disso, manejará a política monetária de forma consistente. ''Quando o País reduzir o juro e começar uma fase de investimento, estará preparado para crescer de maneira sustentada'', disse.
Palocci ainda negou que haja alguma previsão de mudança da meta de inflação de 2004. ''A princípio, nós vamos confirmar a meta'', afirmou o ministro. A meta de inflação para o próximo ano é de 5,5%.
O ministro procurou relativizar o dado divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que apontou queda de 4,2% na produção industrial do País em abril, ante o mesmo mês do ano passado. Palocci argumentou que abril foi um mês com um menor número de dias úteis e que houve uma grande expansão no mês de abril do ano passado que os analistas têm dificuldade de explicar. ''É preciso olhar os dados como um todo no ano'', disse.
Palocci não vê a economia brasileira caminhando para a recessão. ''Não acho que há um quadro recessivo'', enfatizou. Para mostrar o dados positivos da economia, o ministro citou o desempenho da balança comercial, que acumula no ano um superávit de US$ 8,5 bilhões.
Esse resultado obtido até agora, no seu entender, indica que o País terá um saldo comercial ''muito significativo'' em 2003. Ele também citou como exemplo de bom desempenho o setor agroindustrial.


