Brasília - O risco de desabastecimento de energia continua em zero no País, de acordo com informações divulgadas ontem pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), órgão presidido pelo Ministério de Minas e Energia. Os números consideram todos os cenários utilizados pelo órgão para monitorar o setor elétrico no País, como a série histórica de chuvas dos últimos 83 anos, a série sintética, que desdobra o histórico em 2.000 cenários artificiais e a utilização de usinas termelétricas.

Segundo nota divulgada pelo órgão, o Brasil conta com uma sobra estrutural de 12.899 MW médios para atender o consumo, que está projetado em 64.573 MW médios neste ano. "De acordo com o Comitê, em 2016, entraram em operação 1.463 MW do total de 7.223 MW de capacidade de geração previstos para o ano, dos quais 480 MW foram incorporados desde a última reunião do CMSE. São 22 novos empreendimentos de geração", diz o comunicado.

Em fevereiro, de acordo com o CMSE, as chuvas ficaram acima da média histórica na Região Sul (166%), e atingiram 86% da média no Sudeste/Centro-Oeste, 92% no Nordeste e 68% no Norte. A previsão do órgão é que os reservatórios das hidrelétricas atinjam, no fim de março, 57% da capacidade do Sudeste/Centro-Oeste, 34% no Nordeste, 85% no Sul e 57% no Norte.

A nota divulgada pelo órgão menciona as decisões tomadas em reunião extraordinária do CMSE, realizada na semana passada, durante a qual o governo decidiu desligar termelétricas com custo de geração de energia acima de R$ 250,00 por megawatt-hora (MWh) em 1º de março e as térmicas com custo acima de R$ 211,00 por MWh a partir de 1º de abril. A ação foi adotada após o nível de armazenamento dos reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste atingir 50,9%.

APAGÃO
Um 'apagão' atingiu na manhã de ontem os Estados do Amazonas, do Pará, parte do Maranhão e Macapá, capital do Amapá. Em alguns casos, a falta de energia na região durou cerca de duas horas. A Eletronorte informou, durante uma entrevista coletiva pela manhã, que o problema foi causado por um curto-circuito. A falha acabou provocando uma explosão no transformador da corrente do sistema de proteção da subestação da usina hidrelétrica de Tucuruí. Segundo o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), o sistema onde ocorreu a falha é de responsabilidade da empresa Vila do Conde Transmissora de Energia.
Como consequência, a usina hidrelétrica de Tucuruí (da Eletrobras/Eletronorte) foi automaticamente desligada, separando uma parte da região Norte do restante do Sistema Interligado Nacional.

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