Risco de 'default' volta a pairar sobre a Argentina
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segunda-feira, 02 de abril de 2001
Vladimir Goitia Agência Estado De Buenos Aires 
A falta de liquidez e a queda de quase US$ 4 bilhões nas reservas internacionais no primeiro trimestre deste ano obrigaram o Banco Central da República Argentina (BCRA) a reduzir de 20% para 18%, ontem, o compulsório do sistema financeiro. Mas o problema da Argentina não se restringe apenas à liquidez estima-se que a mudança no compulsório injetará no mercado US$ 1,5 bilhão.
A queda na arrecadação tributária de quase 14% em março, em comparação com o mesmo mês do ano passado, a nova disparada na taxa interbancária (over), que subiu para 45% ao ano em pesos na sexta-feira e para 25% em dólares, e o patamar altíssimo do risco argentino (950 pontos), ameaçam os planos de financiamento do governo do presidente Fernando de la Rúa.
De acordo com o cronograma de captação de recursos, o Ministério de Economia espera obter entre US$ 1,25 bilhão e US$ 1,45 bilhão no mercado internado entre renovações de dívida e emissão de novas Letras e Bônus do Tesouro (Lts e Bonts). Além disso, o governo está negociando um crédito especial de US$ 3 bilhões com bancos locais para cobrir as suas necessidades financeiras e o déficit fiscal.
Ou seja, as atuais taxas, tanto no mercado interno (na casa dos 12%) e mercado externo (14,5%), afastam a Argentina do sonho do ministro Domingo Cavallo de conseguir endividar-se a taxas similares às do México (7% a 8% ao ano). De acordo com dados do próprio governo, o atual colchão financeiro para cobrir suas necessidades financeiras não chegam nem a US$ 800 milhões, recursos suficientes apenas para cobrir algumas semanas. Somados todos esses fatores, a Argentina está mais uma vez em situação de defaut (inadimplência), advertem os economistas mais pessimistas.
MercosulO ministro de Economia da Argentina, Domingo Cavallo, negou ontem que as últimas medidas adotadas prejudiquem os sócios do Mercosul. De nenhuma maneira afetamos a compra de bens de consumo de origem de qualquer país do Mercosul e de países associa dos como Bolívia e Chile, afirmou. O ministro revelou ainda que em comunicações que tem tido com o governo brasileiro, foi informado de que o Brasil também pensa em modificar suas alíquotas para as importações de bens de capital , de tal modo que possamos coincidir em uma tarifa comum.


