Londrina - São Pedro colaborou e o Brasil conseguiu vencer a crise energética que trouxe muitos prejuízos ao País, ano passado. Mas a situação que provocou a crise persiste e novos problemas podem surgir a qualquer momento. O alerta é do professor José Walter Bautista Vidal, professor das universidades federais da Bahia e de Brasília e da estadual de Campinas, reconhecido internacionalmente por sua defesa do uso de fontes alternativas de energia. Ele esteve em Londrina proferindo palestra ontem para estudantes, a convite do Diretório Central e do Centro Acadêmico de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Londrina.
''O problema que provocou o apagão não foi resolvido e está pior do que era'', ressalta o professor. Segundo ele, a crise foi fruto da política financeira imposta pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que não permite que as empresas de economia mista invistam seus próprios lucros na geração de energia para acompanhar o aumento da demanda. ''O FMI proíbe o Estado de investir em energia para entregar o dinheiro ao Banco Central, que o repassa para o pagamento de uma dívida que já foi paga várias vezes'', defende. A proibição das empresas de economia mista reinvestirem o lucro, diz ele, ainda perdura.
Segundo Vidal, o alerta sobre a ocorrência de uma crise em virtude da política imposta pelo FMI vem sendo dado há tempos. ''O ex-ministro Aureliano Chaves já falava sobre essa possibilidade'', comenta o professor. De lá para cá, a situação foi se agravando no reboque da internacionalização da economia. Vidal ressalta que, como as empresas não investiam, o discurso passou a ser da necessidade de se atrair capital externo para suprir essa necessidade.
''Após a crise, o governo passou a apontar as termelétricas como solução, usando gás estrangeiro, que é caro e cotado em dólar. As empresas nacionais, ao perceberem o barco furado em que iriam entrar, desistiram do projeto e sobrou tudo para a Petrobras, a única que está investindo em termelétricas, fazendo um papel que não é seu,'' sustenta, acrescentando que o País assumiu um compromisso com as corporações de petróleo de utilizar gás da Bolívia, Peru e outros países.
Bautista Vidal defende o desenvolvimento de tecnologia para a utilização de fontes alternativas de energia, como o bagaço de cana. Ele diz que só o Estado de São Paulo, grande produtor de cana, poderia produzir o equivalente ao que produz Itaipu. Para o Paraná, ele sugere a produção de energia por meio de florestas. ''Imagina o que significaria replantar as florestas que foram devastadas no Estado e utilizar essa madeira em termelétricas. Isso traria grande lucratividade para o homem do campo.'' Segundo dados fornecidos por ele, é possível produzir 100 metros cúbicos por hectare/ano de celulose, o que corresponde a um barril de petróleo por metro cúbico. Com o barril cotado a US$ 25, o lucro do homem do campo seria de US$ 2.500,00 por hectare. ''O Brasil será o grande fornecedor de energia para o mundo. Só o governo não vê isso.''

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