Risco continua, diz a Moodys
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segunda-feira, 12 de outubro de 1998
Agência Folha 
Nem a reeleição de Fernando Henrique Cardoso, nem o anúncio de medidas para conter o déficit fiscal, nem o apoio declarado do FMI (Fundo Monetário Internacional) à política brasileira podem restaurar a confiança do investidor externo a curto prazo, segundo avaliação divulgada ontem pela Moodys.
A Moodys é uma das mais importantes agências de avaliação de crédito do mundo. A opinião divulgada ontem faz parte de um serviço periódico fornecido pela empresa aos seus clientes. A nota foi assinada pelo vice-presidente e analista-sênior, Ernesto Martinez-Alas, e pelo analista Vincent Truglia.
Não estamos otimistas que um pacote financeiro será grande o suficiente para reassegurar que os investidores vão voltar logo para o Brasil, descreve a nota.
A agência ainda demonstrou desconfiança na possibilidade de o País reduzir a taxa de juros - medida necessária para promover o crescimento econômico - sem mudar sua política cambial, baseada na sobrevalorização do real em relação ao dólar.
Segundo a agência, são pequenas as esperanças de que o governo possa reduzir o déficit - estimado em 7% do PIB (Produto Interno Bruto) - suavemente ou rapidamente.
Para a Moodys, também será difícil promover as mudanças constitucionais necessárias, como a reforma fiscal e da previdência, em tempo hábil para injetar otimismo aos investidores.
Nem o empréstimo de dinheiro por parte do FMI seria capaz disto, pois os investidores estariam preocupados a longa distância. A Moodys aponta um caminho: Se os resultados das reformas propostas pelo presidente forem visíveis a curto prazo, talvez os investidores possam dar outra chance ao Brasil.
O déficit acontece quando os gastos do governo são maiores do que o dinheiro arrecadado. No mês passado, a Moodys provocou um terremoto no mercado ao rebaixar o rating (classificação de risco) da dívida brasileira em moeda estrangeira.
A agência passou a nota do Brasil de B1 para B2, o que significa uma pequena probabilidade de pagamento em tempo prolongado. A classificação brasileira passou ao mesmo patamar da paraguaia e nicaraguense, por exemplo. O rebaixamento ajudou a provocar receio nos investidores, o que contribuiu para a saída de dólar do país na proporção de US$ 500 milhões por dia.


